Só 2% do lixo hospitalar são perigosos, diz técnico
08/12/2005 - 00:23
Apenas 2% do lixo produzido nos hospitais têm potencial infeccioso. Foi o que explicou nesta quarta-feira o assessor-técnico da Confederação Nacional de Saúde, Olympio Távora, em audiência pública da Comissão Especial sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
"A comida que sobra ou os papéis usados na área administrativa, por exemplo, representam grande parte de volume do resíduo sólido do hospital e não são lixo contaminado", afirmou. "O que sobra para possivelmente se contaminar são agulha, seringa, resto de material e resto do laboratório, que representam apenas um pequeno percentual de tudo o que sai do hospital."
Tratamento diferenciado
Para Olympio Távora, os resíduos hospitalares sem potencial tóxico deveriam receber o mesmo tratamento do lixo domiciliar. Na opinião do técnico, o projeto sobre lixo hospitalar (PL 203/91) em tramitação na Câmara desde 1991 é preconceituoso porque dá importância excessiva a um potencial infeccioso mínimo. A proposta está entre as que estão sob análise da Comissão de Resíduos.
O representante da Confederação Nacional de Saúde disse ainda que o projeto beneficia determinadas empresas de coleta e processamento de lixo, além de aumentar desnecessariamente os custos hospitalares. Isso porque obrigaria as unidades de saúde a cuidarem de todo o resíduo produzido e não somente daqueles 2% que representam perigo.
Olympio Távora defendeu que a Câmara aprove uma Política Nacional de Resíduos coerente com a real capacidade de infecção do lixo hospitalar.
Destinação do lixo
O primeiro-vice-presidente da Comissão de Resíduos, deputado Max Rosenmann (PMDB-PR), alertou para os problemas que os hospitais do Paraná estão enfrentando devido aos custos de destinação do lixo. Segundo Rosenmann, os hospitais daquele estado pagam de R$ 30 a R$ 50 por quilo de lixo produzido para dar a destinação exigida pela Secretaria do Meio Ambiente. Ele informou que alguns hospitais produzem cerca de 1 mil quilos de lixo por dia.
Olympio Távora contestou a informação e disse que o dado considera todo o lixo hospitalar, e não apenas o que tem potencial de risco. Segundo o técnico, um paciente internado em hospital gera no máximo 400 gramas de lixo com potencial infeccioso. "Para produzir o mínimo de 1 mil quilos de lixo com potencial infeccioso, seria necessário haver 2,5 mil leitos no hospital."
Távora acrescentou que existem problemas mais graves em relação a resíduos que ainda não têm solução. "Que destino dar, por exemplo, ao lixo industrial e radiativo? Como evitar a contaminação por mercúrio contido em pilhas e lâmpadas?", questionou. "Além disso, 30% dos municípios ainda não têm coleta de lixo", enfatizou.
Votação do relatório
A comissão deverá votar o relatório final na próxima quarta-feira (14). Segundo o relator Ivo José (PT-MG), é preciso "correr contra o tempo" porque o prazo para a Câmara analisar a questão esgota-se na próxima semana. "Fui surpreendido com um novo projeto apensado que contaminou todos os outros quase 100 projetos que tramitam junto com o principal", explicou.
A nova proposta a que se refere o deputado é o PL 6014/05, que proíbe a importação de pneus pelo Brasil, tramita em regime de urgência e precisa ser votado até o dia 15 de dezembro. Se o prazo não for cumprido, o projeto passa a trancar a pauta da Câmara.
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Reportagem - Ana Raquel Macedo
Edição - Regina Céli Assumpção
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