General rebate denúncias contra tropas no Haiti
23/11/2005 - 20:28
Em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, o general Augusto Heleno Ribeiro, que esteve no comando da Força de Paz das Nações Unidas no Haiti até o último dia 31/8, rebateu denúncia de entidades de direitos civis sobre violações praticadas pelas tropas de paz na capital, Porto Príncipe, em 6 de julho. Segundo Heleno Ribeiro, a ação realizada no bairro Cité Soleil e que resultou na morte do líder de uma das principais gangues da capital, Dred Wilmé, teve "poucos efeitos colaterais". "Uma hora depois da ação, as rádios locais foram lá e não constataram as irregularidades apontadas", afirmou.
Retaliação
O general disse que as denúncias das execuções só começaram a aparecer um dia depois do incidente e certamente foram realizadas por remanescentes das gangues, como retaliação à população que colaborou com a sua localização. "A maioria das execuções era de pessoas feridas a bala na cabeça, o que não caracteriza ferimentos realizados durante uma ação militar", explicou.
O general atribuiu as denúncias às ligações de seus autores ao ex-presidente do Haiti Jean-Bertrand Aristide, derrubado em fevereiro de 2004 com apoio dos Estados Unidos. O general Heleno disse que as organizações de defesa dos direitos humanos que denunciam as ações da Minustah estão ligadas política ou ideologicamente a setores contrários à intervenção da ONU no país. "Os direitos humanos são a linha divisória entre os regimes democráticos e os totalitários, mas é preciso tratar dessa questão com muita responsabilidade e, antes de dar credibilidade a ataques a um trabalho que é difícil e tão importante, é preciso verificar os interesses que estão por trás das denúncias", argumentou.
Ele admite que é possível alguns inocentes terem sido mortos em ações, principalmente na que resultou na morte de um dos bandidos mais procurados do Haiti, em julho do ano passado. Mas diz que várias inspeções foram feitas aos trabalhos da Força de Paz e já foi demonstrado o respeito que as forças militares que lá estão têm com os direitos humanos.
Reportagem - Cid Queiroz e Alfredo Lopes
Edição - Regina Céli Assumpção
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