Educação, cultura e esportes

Líder da Revolta da Chibata pode virar herói da pátria

10/10/2005 - 18:31  

O líder da Revolta da Chibata, João Cândido Felisberto, poderá ter seu nome incluído no Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia, na praça dos Três Poderes, em Brasília. O Projeto de Lei 5874/05, que prevê a inscrição, foi apresentado pelo deputado Elimar Máximo Damasceno (Prona-SP).
A Revolta da Chibata ocorreu em unidades da Marinha de Guerra brasileira baseadas no Rio de Janeiro, em 1910. Na ocasião, os marinheiros desencadearam uma série de protestos contra suas condições de trabalho, reclamando contra os alimentos estragados que lhes eram oferecidos, os trabalhos pesados que lhes eram impostos e, principalmente, contra os castigos corporais a que eram submetidos.
"Na época, a Marinha brasileira estava dentre as mais fortes do mundo. Já o tratamento dos marinheiros repetia as piores tradições. João Cândido, filho de escravos, liderou a revolta pela dignidade humana em nossa Marinha e em nosso País", exaltou Damasceno.

Motim
A revolta teve início na madrugada de 23 de novembro de 1910, em resposta ao castigo de 250 chibatadas sofrido pelo marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes. Sob o comando de João Cândido, amotinaram-se as tripulações dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo e também dos cruzadores Barroso e Bahia, reunindo mais de dois mil revoltosos. A cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, foi mantida por cinco dias sob a mira de canhões.
Diante da situação, o então presidente da República, Hermes da Fonseca, não encontrou saída que não fosse ceder às exigências dos marinheiros. "No dia 25 de novembro, o Congresso, apressadamente, aprovou as reivindicações dos marujos, incluindo a anistia. João Cândido, confiando nessa decisão, resolveu encerrar a rebelião, recolhendo as bandeiras vermelhas dos mastros", conta o autor da proposta.
Três dias depois, porém, o então ministro da Marinha determinou a expulsão dos líderes do movimento. Os marinheiros tentaram reagir, mas o governo lançou violenta repressão que culminou com dezenas de mortes, centenas de deportações e a prisão de João Cândido.
Solto anos depois, o Almirante Negro, como era chamado, passou a viver como vendedor de peixes no Rio de Janeiro. "Morreu em 1969, sem patente e na miséria. Agora é hora de a Nação honrá-lo, inscrevendo seu nome no livro dos heróis da Pátria", defendeu Damasceno.

Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será examinado pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Da Redação/SC

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br
A Agência utiliza material jornalístico produzido pela Rádio, Jornal e TV Câmara.


RO

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.