Saúde

Deputados cobram ações para enfrentamento da Covid-19 no Amazonas

Parlamentares contestaram informações do governo estadual e do Ministério da Saúde de que os fabricantes não alertaram sobre o desabastecimento de oxigênio no estado

28/01/2021 - 18:56  

Integrantes da bancada do Amazonas na Câmara dos Deputados pediram providências urgentes para solucionar o que chamaram de caos no estado, decorrente da nova onda de casos do novo coronavírus. O assunto foi discutido nesta quinta-feira (28) com autoridades da área de saúde, durante reunião  da comissão externa da Câmara que acompanha as ações contra a Covid-19.

Os parlamentares reclamaram que não houve planejamento para o estado se antecipar à falta de oxigênio nos hospitais e contestaram as informações do governo estadual e do Ministério da Saúde de que os fabricantes não alertaram sobre o desabastecimento do produto.

O representante do Ministério da Saúde no encontro, Ridauto Fernandes, afirmou que o aumento exponencial de casos foi decorrente não só da variante do vírus detectada no Amazonas, mas dos pacientes com outros problemas de saúde, cujo atendimento foi represado por conta da pandemia.

Segundo Fernandes, até a força-tarefa do Ministério da Saúde chegar a Manaus, no início do mês de janeiro, a falta do insumo não fazia parte dos relatos.

Também na reunião, o secretário estadual de Saúde, Marcellus Campêlo, informou que a demanda de oxigênio passou de 30 mil para 75 mil metros cúbicos diários. Já o Ministério da Saúde espera que o fornecimento chegue a 120 mil metros cúbicos por dia em, no máximo, duas semanas.

“Quando a empresa levantou a mão para dizer que o problema era grave, as reservas já estavam muito baixas, duraram mais alguns poucos dias e acabaram. E, nesses poucos dias, a reação que se desencadeou, ela tecnicamente foi impossível fazer”, disse Ridauto Fernandes.

A informação foi contestada pelo deputado Delegado Pablo (PSL-AM), um dos parlamentares que pediu a realização da reunião. Ele disse que os fabricantes avisaram sobre o crescimento da demanda. “Essa crise realmente chegou num ápice muito rápido, mas ela foi, sim, avisada antes. As empresas chegaram a avisar às autoridades de saúde que [a demanda por] oxigênio estava aumentando”, declarou.

Situação no estado
O secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, negou falta de planejamento e apresentou dados do plano de contingência que está em vigor desde outubro de 2020. Ele declarou que, agora em janeiro, a nova variante do coronavírus, chamada de P1, estava presente em 91% das amostras coletadas, atingindo grupos nos quais não havia incidência alta de Covid-19, como crianças e mulheres grávidas.

Campêlo também falou sobre as tentativas para superar a crise no fornecimento de oxigênio. “Nós sabemos que vai haver necessidade de mais oxigênio para a rede. Então estamos trabalhando com medidas alternativas, que são as mini usinas para suprir a rede”, afirmou.

“São concentradores de oxigênio que fornecem de 5 a 10 litros por minuto, que nós podemos utilizar em casos leves ou nos pacientes que estão saindo do terceiro estágio da doença. E também trabalhamos a remoção dos pacientes para outros estados, com o apoio da Força Aérea Brasileira e dos estados”, disse o secretário.

Segundo o Ministério da Saúde, 321 pacientes do Amazonas já foram transferidos para hospitais de 11 estados. O secretário estadual de Saúde relatou que, atualmente, há 521 pacientes no Amazonas esperando um leito clínico e 104 em busca de uma vaga de terapia intensiva.

Falta de UTIs
Para o presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do estado (Cosems-AM), Franmartony Firmo, um problema crônico é a concentração dos procedimentos de média e alta complexidade na capital. Não há UTIs nos 61 municípios do interior, que somam uma população de 2 milhões de habitantes.

“Hoje nós temos municípios com leitos vagos para receber pacientes, mas infelizmente a gente carece de profissionais nesses municípios, carece de estrutura”, afirmou.

Durante a reunião, os parlamentares expressaram o temor de que a mesma situação se espalhe pelo País. Houve relatos de falta de medicamentos, luvas e profissionais de saúde em 20 municípios do oeste do Pará e em Rondônia.

Reportagem – Cláudio Ferreira
Edição – Pierre Triboli

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