Parlamento Negro das Américas vai combater desigualdade
06/09/2005 - 15:30
Brasília sediará em dezembro a instalação do Parlamento Negro das Américas, que vai congregar representantes dos 150 milhões de afrodescendentes da América Latina e Caribe. A idéia é que essa instância seja um espaço político para discutir a garantia e ampliação de direitos, o combate à discriminação e a implementação de ações afirmativas, entre outros meios para eliminar as desigualdades raciais.
A criação do Parlamento Negro foi definida durante o 3º Encontro de Parlamentares Negros e Negras das Américas e do Caribe e o Foro Interamericano Afrodescendente, realizados na Costa Rica entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro.
O Parlamento ainda não tem sede definida. Na reunião de instalação será votado o Regimento Interno e elaborado um programa mínimo de trabalho. Será eleita também a mesa diretora da entidade.
Debate
O 3º Encontro de Parlamentares Negros e Negras das Américas e do Caribe teve a participação do presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial, deputado Luiz Alberto (PT-BA), e também dos deputados petistas João Grandão (MS) e Eduardo Valverde (RO). O evento reuniu cerca de 40 parlamentares de vários países da América Latina e Caribe, que discutiram formas de combater o racismo, formular ações conjuntas e trocar experiências de sucesso.
Luiz Alberto disse que um dos debates foi justamente o papel desses parlamentares na redução das desigualdades. "São instâncias de poder institucional responsáveis pela elaboração das políticas que vão incidir na vida das pessoas", destacou.
Ele também ressaltou que a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou recentemente relatório mundial sobre desigualdade e pobreza, demonstrando que o Brasil é o primeiro país em desigualdade da América Latina. "Nós fizemos uma avaliação nesse encontro que demonstra a correlação entre a desigualdade e a população afro-brasileira, que é a vítima principal. Portanto, esses parlamentares têm um papel importante, uma responsabilidade muito grande nesse aspecto", afirmou.
Racismo x exclusão
O coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Brasília, Nelson Inocêncio, reforça o discurso de que o combate às desigualdades sociais tem reflexo direto na questão racial. "O mapeamento feito pelos organismos oficiais é alarmante e demonstra que o racismo tem a ver com o processo de exclusão. Hoje o que está sendo avaliado é que o racismo tem caráter estrutural e precisa ser percebido, combatido, porque fere o princípio da democracia, de construção de uma sociedade democrática", enfatizou. "Nunca tivemos políticas públicas que considerassem que o Brasil possui uma população negra extremamente representativa", concluiu o coordenador.
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Reportagem - Mônica Montenegro e Allan Pimentel
Edição - Marcos Rossi
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