Dívida argentina caiu de 113% para 72,4% do PIB
17/08/2005 - 20:36
A dívida externa argentina foi reduzida de 192 bilhões de dólares (cerca de R$ 460 bilhões) para 126 bilhões de dólares (cerca de R$ 300 bilhões) com a renegociação conduzida pelo presidente Nestor Kirchner, concluída em março último. Em termos de peso relativo na economia, a dívida caiu de 113% para 72,4% do Produto Interno Bruto (PIB). A informação é do presidente da Comissão Parlamentar Mista Revisora de Contas da Administração do Parlamento argentino, deputado Oscar Santiago Lamberto, do Partido Justicialista, que foi ministro da Fazenda daquele país durante o governo do ex-presidente Eduardo Duhalde. Ele expôs a situação da dívida externa argentina em audiência pública realizada pela Frente Parlamentar de Acompanhamento da Dívida Pública.
Pensamento único
Também participou do evento o economista Carlos Eduardo Carvalho, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Para ele, o exemplo da renegociação argentina mostra que os países não precisam se submeter aos ditames do "pensamento único" do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do mercado financeiro global. "Há caminhos alternativos", sustentou Carvalho, acrescentando que todo país pode renegociar politicamente sua dívida externa, tendo como parâmetro a própria soberania. "Não devemos aceitar a lógica do FMI como uma receita única e inevitável", concluiu o professor.
Maior que a brasileira
Lamberto assinalou que a renegociação melhorou bastante a situação da Argentina, mas que a dívida permanece alta e o país ainda enfrenta dificuldades financeiras. "A lição a tirar é a de que não há fórmulas mágicas nem salvadores da pátria; todo país precisa ter uma vida normal, com moeda própria e relações internacionais autônomas, e cuidar da economia para construir seu futuro", afirmou.
Apesar da redução, a dívida externa argentina, em termos relativos, ainda é maior que a brasileira. Segundo dados do Banco Central, apresentados pela presidente da Frente, deputada Dra. Clair (PT-PR), a dívida externa bruta do Brasil, que em dezembro de 2002 era de 210,7 bilhões de dólares (45,9% do PIB), caiu em março de 2005 para 201,9 bilhões de dólares (cerca de R$ 480 bilhões, ou 31,6% do PIB). No período, o PIB brasileiro cresceu de 459 bilhões de dólares (cerca de R$ 1,1 trilhão) para 638 bilhões de dólares (cerca de R$ 1,5 trilhão), aumento influenciado pela valorização do real.
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Edição – Regina Céli Assumpção
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