Meio ambiente e energia

Representantes do governo afirmam que óleo no litoral não veio de poço de exploração no País

Cem dias após o aparecimento das primeiras manchas de óleo nas praias, a causa do desastre ainda não foi identificada

10/12/2019 - 21:04  

TV Câmara

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o derramamento de óleo no litoral brasileiro ouviu, nesta terça-feira (10), os coordenadores do Grupo de Avaliação e Acompanhamento, criado para enfrentar os impactos do desastre e formado pela Marinha do Brasil, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Ibama.

Os representantes do governo concordam que o vazamento não veio de nenhum poço de exploração de petróleo no País. Foi o que comprovou a análise das amostras coletadas, segundo Raphael Neves Moura, da ANP.

“Já há um grupo de elementos muito fortes que indicam que esse óleo não é de produção nacional. Através de uma análise comparativa com o banco de óleos do Centro de Pesquisas da Petrobras já foi constatado a compatibilidade com óleos venezuelanos, do Orinoco”, afirmou Moura.

O almirante da Marinha Marcelo Francisco Campos, que coordena o Grupo de Avaliação e Acompanhamento, disse que sobraram algumas hipóteses.
“Nós acreditamos num derramamento acidental ou intencional. Uma operação ‘ship to ship’, que é a transferência de óleo no mar entre dois navios mercantes. E ainda cogitamos, numa probabilidade mais baixa, o naufrágio de um petroleiro”.

O fato de não ter sido identificada a causa, cem dias depois do aparecimento das primeiras manchas de óleo nas praias, deixou alguns parlamentares preocupados. O deputado Paulão (PT-AL) disse que a demora coloca em dúvida a capacidade de reação dos órgãos do governo, na hipótese de ocorrerem novos desastres.

“Até agora não foi apontado nenhum agressor formal, como foi dito pela representante do Ibama. E essa demora, se ocorrerem outros acidentes como este, faz com que a credibilidade dos órgãos que estão postos nesta mesa fique em xeque”.

O presidente da CPI, deputado Herculano Passos (MDB-SP), considerou positivo o debate entre os deputados e os representantes do governo. Ele disse que o objetivo é aprofundar a investigação sobre os prejuízos causados pelo derramamento de óleo.

“Teremos várias reuniões externas para que a gente conheça in loco todo o prejuízo ambiental, tanto da flora como da fauna marítima, como no prejuízo de saúde pública, como também no prejuízo social, a interferência que houve em relação ao turismo nas regiões afetadas”.

Herculano Passos disse que a CPI vai procurar “de todas as formas” chegar à origem do vazamento do óleo e cobrar as responsabilidades pelo desastre.

Reportagem - Dourivan Lima
Edição - Paula Bittar

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