Meio ambiente e energia

Deputados divergem sobre política do governo para Amazônia

27/08/2019 - 20:55  

Partidos de oposição anunciaram obstrução no Plenário da Câmara dos Deputados para protestar contra a reação do Poder Executivo ao avanço das queimadas na Amazônia. Governistas saíram em defesa do presidente Jair Bolsonaro e chamaram o discurso da oposição de “dramático”. O tema dominou os pronunciamentos de Plenário nesta terça-feira (27).

Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara teve discursos a favor e contra a política do governo para a Amazônia

A deputada Erika Kokay (PT-DF) disse que o Parlamento precisa tomar uma posição em defesa da Amazônia: “70% das chuvas de São Paulo são oriundas da existência da Floresta Amazônica, o que o presidente [Bolsonaro] simplesmente desconhece, porque colocou no Ministério do Meio Ambiente uma pessoa que defende os interesses do latifúndio”.

Para a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não têm habilidade para lidar com políticas ambientais. “Desde a demissão do Ricardo Galvão, que, à frente do Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais] cumpriu um papel excepcional de revelar ao mundo o aumento de 170% no desmatamento da Amazônia, o governo vem endurecendo a postura com relação àqueles que defendem o nosso meio ambiente”, criticou.

Já o deputado Bibo Nunes (PSL-RS) defendeu o presidente da República. “É muita deturpação: já tem gente dizendo que Bolsonaro é uma reencarnação de Nero [imperador que teria incendiado Roma]. Era só o que faltava”, criticou. Ele afirmou que a imprensa divulga notícias falsas e tendenciosas sobre a situação.

 

 

Para o deputado Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM), é preciso respeitar a soberania brasileira. “As queimadas são um fenômeno natural. Lógico que pode ser agravado pelo desmatamento. Mas se pegarmos a latitude do planeta, veremos que está havendo muito mais queimadas na África do que na Floresta Amazônica”, disse.

Macron
A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) criticou as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a ajuda oferecida pelo presidente da França, Emmanuel Macron, e a interação do presidente em um post que criticava a imagem da primeira-dama francesa, Brigitte Macron. “Nós queremos respeito para com as mulheres do Brasil e fora do Brasil”, disse Benedita.

O deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) saiu em defesa de Bolsonaro. “Acusar o presidente de sexista e de misógino no episódio em que apenas comentou uma postagem em que se falava que a Michelle Bolsonaro é mais bonita do que a esposa do Macron. Isso é óbvio: ela é feia, sim, senhor!”, afirmou.

Dia do Fogo
Já o deputado Bohn Gass (PT-RS) acusou o governo de minimizar o avanço do desmatamento e de queimadas criminosas na região Norte. “O Ministério Público Federal, no dia 7 de agosto, avisou ao Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis]: 'Vai ter queimada'. E o Ibama, depois do dia 12, apenas respondeu que não tinha apoio da polícia do Pará e que a Força Nacional não foi dar apoio. E, no dia 10, fizeram o crime, queimaram a Amazônia”, acusou.

O deputado disse que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, deve explicações sobre o episódio.

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) também cobrou investigações. “É preciso que se investigue o crime ambiental cometido e que se identifiquem os responsáveis pelo ‘Dia do Fogo’, divulgado nas redes sociais”, declarou.

Por sua vez, o deputado Átila Lins (PP-AM) elogiou a mobilização das Forças Armadas contra as queimadas, política anunciada por Bolsonaro na última sexta-feira (23). “A presença das Forças Armadas no Amazonas e na região amazônica já dá o tom de que não se discute a soberania brasileira nesta imensa região. O Brasil está atento para minimizar e resolver os problemas que afligem aquela vasta região”, disse.

Reportagem – Carol Siqueira
Edição – Pierre Triboli

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