CPI de Brumadinho quer mais 60 dias para concluir investigações
06/08/2019 - 22:38
A comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre o desastre em Brumadinho (MG) quer mais 60 dias para concluir a investigação do crime socioambiental que matou cerca de 270 pessoas no fim de janeiro. Criada em abril, a comissão fez várias audiências no município mineiro e já ouviu a maior parte dos envolvidos no rompimento da barragem do Córrego do Feijão, além de representantes das famílias das vítimas.

O ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman e dois engenheiros da empresa alemã Tüv Süd, que atestaram a estabilidade da barragem, conseguiram habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para não prestar depoimento.
Diante do prazo final dos trabalhos em 14 de agosto, o relator da CPI, deputado Rogério Correia (PT-MG), quer mais tempo para analisar documentos e, principalmente, as quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático que chegaram recentemente ao colegiado.
“Temos uma série de depoimentos que condensam bem o trabalho e o relatório que faremos. Com certeza, não resta dúvida entre a gente: tanto a Vale quanto a Tüv Süd cometeram um crime porque tinham conhecimento de vários dos problemas ocorridos. E isso estará no relatório. Mas será enriquecido com vários depoimentos e contradições que existiram entre eles”, disse Correia.
Cronograma de trabalho
A CPI pretende fazer uma última audiência pública com funcionários da Vale, na quinta-feira (8). Ainda neste mês, Rogério Correia pretende se reunir com outras autoridades que investigaram o crime socioambiental, como as CPIs do Senado e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, além da força-tarefa integrada pela polícia civil mineira e os ministérios públicos da União e do estado.
No dia 27, Correia quer discutir pontos do relatório com representantes das famílias das vítimas, dos movimentos de atingidos por barragens e da prefeitura de Brumadinho.
Reivindicações da CPI
O presidente da CPI, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), afirmou que, mesmo tardiamente, o colegiado tem visto algumas de suas reivindicações atendidas.
“A Vale começa anunciar que as suas 20 barragens de maior risco em Minas Gerais agora vão passar a ser rastreadas por radar a satélite, que era a reivindicação que a gente fez desde a comissão externa de Brumadinho, e que parasse de ser feito por radar de proximidade, como era utilizado antes e infelizmente trouxe tantas vítimas em Brumadinho”, disse Delgado. “A gente tem pleitos sendo atendidos enquanto estamos com a CPI. A gente quer, até setembro, concluir esse nosso trabalho aqui.”
Delgado também atribuiu às pressões da CPI a recente decisão da Vale de contribuir com o sequenciamento de DNA na tentativa de agilizar a identificação de partes dos corpos de 22 pessoas que ainda são dadas como desaparecidas.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Pierre Triboli