CPI do BNDES ouve ex-sócio dos irmãos Batista
Em 2017, uma CPI mista investigou supostas fraudes de dirigentes da J&F com financiamento do BNDES
14/05/2019 - 11:04

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES ouve hoje o empresário Mário Celso Lopes, ex-sócio de Joesley e Wesley Batista, do Grupo J&F Investimentos.
“É de interesse desta CPI, entender a relação entre o financiamento do BNDES que possibilitou a aquisição do frigorifico Bertin pela JBS e a offshore nos Estados Unidos, Blessed Holding criada cinco dias antes da operação, em 2009, para se tornar sócia da nova empresa ao lado do banco”, afirma o relator da comissão, deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), que propôs a audiência de hoje.
Segundo o parlamentar, Mário Celso consta como testemunha do contrato que embasou toda a transação, causando prejuízos bilionários aos cofres públicos.
Depoimentos anteriores
Na semana passada, a CPI ouviu o ex-gerente de risco da Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação (SBCE) Rubens Benevides Férrer Neto sobre a análise de risco do crédito para basear financiamentos do banco.
O colegiado já ouviu também o procurador da República do Distrito Federal, Ivan Cláudio Garcia Marx, e dois ex-diretores do BNDES: Luciano Coutinho e Paulo Rabello.
Marx disse aos parlamentares que a internacionalização dos contratos do banco é justamente o que facilita os atos ilícitos e dificulta as investigações por parte das autoridades brasileiras.
Luciano Coutinho negou favorecimentos a qualquer empresa e refutou interferências políticas dos ex-presidentes da República Lula e Dilma Rousseff nas operações de crédito do banco estatal.
Já Paulo Rabello disse aos deputados que duas comissões de apuração internas foram feitas no banco estatal sobre possíveis irregularidades nas operações de crédito internacionais com as empresas JBS e Odebrecht. Segundo ele, os resultados foram encaminhados à Polícia Federal e ao Tribunal de Contas da União (TCU).
A CPI
O objetivo da CPI do BNDES é investigar contratos firmados pelo banco de fomento entre 2003 e 2015, com ênfase nos acordos internacionais. São projetos em países como Gana, Guiné Equatorial, Venezuela, República Dominicana e Cuba. Empreiteiras brasileiras obtiveram financiamento para obras no exterior. A justificativa para o investimento seriam contrapartidas que colaborassem para o desenvolvimento econômico e social do país.
O colegiado, que é presidido pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), reúne-se às 14h30, plenário 12.
Da Redação – ND