Economia

Presidente da Eletrobras defende modelo de privatização da empresa

07/05/2019 - 16:26  

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a modelagem da privatização da Eletrobrás, e a reestruturação da Eletrobrás/Eletrosul pela Eletrobrás/CGTEE. Presidente das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. - ELETROBRÁS, Wilson Ferreira Junior
Wilson Ferreira Junior: a participação da União no controle da empresa deve diminuir para menos de 50%

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, defendeu nesta terça-feira (7), na Câmara dos Deputados, o modelo de privatização da empresa, a ser feita a partir do aumento do capital social da Eletrobras e de suas subsidiárias. Na prática, mais ações serão disponibilizadas no mercado, e a participação da União no controle da empresa deve diminuir para menos de 50%.

Ele ressaltou que, no começo da década, a empresa investia, em média, R$ 10 bilhões por ano, montante que, segundo ele, caiu para menos de R$ 3 bilhões nos últimos três anos. “A empresa deveria investir R$ 14 bilhões ao ano, mas só tem capacidade para investir R$ 4 bilhões. Assim, a necessidade de capitalização decorre do fato de a empresa não ter capacidade de investir na mesma proporção da demanda originada pelo seu tamanho”, disse.

Futuro da Eletrobras
O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) lembrou Ferreira Junior que, em março, o ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, disse na Câmara que ainda não havia sido orientado pelo presidente Jair Bolsonaro sobre o futuro da Eletrobras. Ele também lembrou que, quando deputado, Bolsonaro se manifestou contrário à privatização da empresa, defendida pela equipe econômica. “A Eletrobras, que controla 31% da geração e 47% da transmissão. Não preocupa o senhor entregar isso para um monopólio privado?”, indagou.

Segundo o presidente da Eletrobras, não há por que temer o repasse do controle de uma parte maior da empresa para a iniciativa privada, uma vez que esse é o modelo adotado por países como Chile, Austrália e Canadá. “Eles trouxeram investidores externos, mas mantiveram o governo como principal acionista. O Brasil continuará a ser o maior acionista, sem ter 50%. Se não temos capacidade de investimento, algo tem que ser feito”, disse.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli

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