Direitos Humanos

Sessão na Câmara lembra Dia Internacional da Síndrome de Down

A data é celebrada anualmente em 21 de março

22/03/2019 - 19:09  

Gilmar Felix/Câmara dos Deputados
Sessão Solene em Homenagem ao Dia Internacional da Síndrome de Down.
Sessão solene reforçou a luta por visibilidade, autonomia e inclusão das pessoas com Síndrome de Down

“Ninguém fica para trás”. Esse foi o lema que ecoou no Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão solene, nesta sexta-feira (22), que reforçou a luta por visibilidade, autonomia e inclusão das pessoas com Síndrome de Down na sociedade.

Em discurso encaminhado para leitura no Plenário, o presidente da Casa, Rodrigo Maia, ressaltou que existem cerca de 300 mil pessoas com Síndrome de Down no Brasil e todos, sem exceção, devem ser assistidos pelo governo brasileiro. “Os direitos de cidadania não são um favor, mas uma obrigação do Estado”, enfatizou.

Foram muitos os depoimentos na solenidade, como o do primeiro servidor com Síndrome de Down da Câmara, Rodrigo Marinho de Noronha. Ele destacou que a trissomia do cromossomo 21 (que caracteriza a Síndrome de Down) não impediu o desenvolvimento de habilidades sociais e profissionais. “Eu sou um cidadão vitorioso, tenho muitos amigos, tenho muitas histórias para contar e muitos sonhos para conquistar. Já sofri muita discriminação, mas eu segui em frente, estudei em muitas escolas até chegar na Apae. Lá eu fui qualificado e conquistei meu primeiro emprego”, disse.

Outro depoimento foi o de Fernanda Shacker Machado, que é integrante do grupo de autodefensores, pessoas que defendem os direitos do grupo aos quais pertencem e que visa o protagonismo de todos os indivíduos portadores da síndrome. “Como diz o lema da campanha, ‘não deixe ninguém para trás’. E para que, realmente, ninguém fique para trás, precisamos muito de políticas públicas que tornem a sociedade mais acessiva e inclusiva”, afirmou.

Acesso ao emprego
A primeira repórter com Síndrome de Down no Brasil, Fernanda Honorato, destacou a importância do acesso ao emprego e a oportunidades como todos os cidadãos. “Nós estamos aqui para combater o preconceito, porque antigamente éramos tratados como coitadinhos, e a gente não quer isso, a gente quer uma sociedade que nos respeite cada vez mais”, disse.

A deputada Erika Kokay (PT-DF), autora do requerimento para a realização da solenidade, salientou que é fundamental o olhar multidisciplinar para o atendimento das pessoas com Síndrome de Down e a compreensão das especificidades de cada indivíduo para fazer valer o lema repetido por diversas vezes durante e solenidade. “É por isso que nós temos que avançar. A mais poderosa arma contra o preconceito, penso eu, é a informação, a sensibilização, e abrir os espaços”, declarou.

O deputado Marcelo Calero (PPS-RJ) destacou a importância das manifestações culturais realizadas durante a solenidade como forma de exercício de cidadania e protagonismo dos homenageados.

Durante a sessão, a vice-presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, Ana Cláudia Mendes de Figueiredo, pediu para que sejam incluídas no próximo censo populacional informações sobre as pessoas com Síndrome de Down. Segundo ela, a ausência de dados dificulta a realização adequada de políticas públicas.

Reportagem – Karina Berardo
Edição – Pierre Triboli

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