Comissão determina que União compense estados obrigados pela Justiça a custear medicamentos

Da Agência Câmara - 04/06/2018 - 15:39

A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou, na semana passada, o Projeto de Lei 4869/16. A proposta obriga a União a ressarcir estados e municípios que, em razão de decisão judicial, tiverem que custear medicamentos que não constem da lista definida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A medida foi proposta pelo deputado Fábio Sousa (PSDB-GO), que destaca o aumento do número de decisões judiciais que obrigam os estados a fornecer remédios que não constam na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais do Ministério da Saúde, muitos deles de alto custo.

Reunião Ordinária da Subcomissão Especial Carreira Médica. Dep. Célio Silveira (PSDB - GO)
O relator, Célio Silveira, ressaltou que o planejamento de estados e municípios é afetado com as constantes decisões judiciais - Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O relator, deputado Célio Silveira (PSDB-GO), concorda com proposta, ressaltando que União é o ente que mais arrecada impostos. Para ele, ao serem obrigados a fornecer medicamentos não incorporados pelo Sistema Único de Saúde, os estados e municípios “perdem a capacidade de planejar seus investimentos de saúde, o que acarreta danos terríveis à saúde pública”.

O projeto prevê que o ressarcimento deverá ocorrer até o exercício financeiro seguinte ao cumprimento da decisão judicial, proibidas deduções ou compensações. De acordo com o texto, o procedimento de ressarcimento deverá ser estabelecido em ato normativo do Ministério da Saúde 90 dias após a publicação da lei.

Gastos

Silveira também ressalta que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem tido seu orçamento profundamente afetado pelo excesso de judicialização. Segundo o parlamentar, entre 2010 e 2016, foram destinados pela União R$ 4,5 bilhões para atender a determinações judiciais de compra de medicamentos, dietas, suplementos alimentares, além de depósitos judiciais. “Até maio de 2017, a cifra chegou a R$ 715 milhões, dos quais R$ 687 milhões foram para a compra de apenas 494 itens”, acrescentou.

Tramitação

O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

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