Representantes do Congresso Nacional avaliam presença do Brasil na conferência do clima

Parlamentares brasileiros que participaram da 23ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Bonn, na Alemanha, na última semana, avaliam que o encontro trouxe perspectiva positiva para a construção de regras de implementação do Acordo de Paris, a partir de 2020, com medidas para redução das emissões de gases de efeito estufa.
Mas concordam que os desafios são enormes para impedir que o aumento da temperatura do planeta ultrapasse 1,5º C nos próximos anos, o que poderia trazer consequências irreversíveis para a vida na Terra.
Para o presidente da Comissão Mista de Mudanças Climáticas, senador Jorge Viana (PT-AC), a COP 23 foi marcada por avanços e sinalização de retrocessos, inclusive em relação ao papel do Brasil.
“Há uma esperança do mundo de que a gente resolva o problema da fome produzindo mais alimento, mas conserve a biodiversidade brasileira. Fiquei muito triste quando o Brasil ganhou o "prêmio fóssil" por conta da medida provisória do governo que tenta fazer uma anistia de R$ 1 trilhão para as petrolíferas. Mas fico contente quando vejo que o Brasil rompeu a tendência do aumento do desmatamento, reduzindo em 16%”, disse Viana.
Petroleiras
A Medida Provisória 795/17, citada por Jorge Viana, já foi aprovada por uma comissão mista e está na pauta da Câmara desta semana. Em encontro realizado por parlamentares brasileiros na COP 23, a principal demanda dos participantes foi para que o Congresso rejeitasse a MP, que muda as regras para a tributação de petroleiras atuantes no país.
O deputado Leo de Brito (PT-AC) também participou da conferência. Na avaliação dele, o encontro teve o dado positivo de isolar os Estados Unidos em sua decisão de sair do Acordo de Paris, desfazendo o temor de que o governo de Donald Trump pudesse atrapalhar as negociações entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento. Leo de Brito também cita o ambiente positivo criado para que, no ano que vem, o chamado Diálogo Talanoa possa fazer as nações ampliarem os esforços em prol de menos emissões.
Desmatamento
“Se nós continuarmos na atual trajetória, vamos ter até o fim do século aumento de 3,2º C em relação à era pré-industrial. Isso praticamente vai gerar um aquecimento auto-reforçante. Você tem um aquecimento que gera mais desmatamento, mais queimadas, vai acabar com a tundra, vegetação das regiões geladas, emitindo não só mais CO2, mas metano. Isso vai gerar ciclo vicioso que vai inviabilizar a vida no planeta”, afirmou.
A boa notícia, segundo Leo de Brito, é que o PNUMA - órgão das Nações Unidas que trata do meio ambiente - diz que, com tecnologias já existentes, é possível estabilizar as emissões de gases de efeito estufa, bastando vontade política para implementá-las.
A próxima conferência do Clima ocorre no ano que vem, na Polônia. O Brasil é candidato a sediar a COP 25, em 2019, quando algum país da América Latina ou do Caribe deve ser escolhido para receber o encontro.