ONG defende fazenda modelo para ressocializar preso
O diretor-executivo da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap) Nery Moreira da Silva defendeu, nesta quarta-feira, que o governo do Distrito Federal crie uma fazenda modelo para que haja parcerias com órgãos de governo a fim de dar oportunidades a detentos e criar cursos de capacitação.
Nery se posicionou favoravelmente a um projeto, que tramita na Câmara Legislativa do DF, que exige que 2% das empresas prestadoras de serviço para o governo tenham entre os contratados ex-detentos. “Isso criaria entre 500 a 800 vagas de empregos”, disse o dirigente da fundação.
A advogada Priscila Amaral defendeu que os detentos trabalhem. “Para que contratar empresas se há internos que cozinham para os agentes? ”, questionou.
Juliana Alves criticou o sistema de visitação aos detentos. “O presídio está em estado precário, são nós é que levamos frutas, e o que vai fazê-los ressocializar é a visita. Para eu visitar um preso, eu perco um dia de serviço”, afirmou.
Rita de Cássia, conselheira distrital dos Direitos Humanos, afirmou que ao longo da audiência pública recebeu diversas denúncias de lesão aos direitos humanos dos detentos. Ela denunciou que o Tribunal de Justiça do DF atrasa cerca de cinco meses a progressão de pena”. Isso acumula um sistema que está entupido”, criticou.
O deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL), que presidiu a audiência pública, explicou que quando foi governador de Alagoas permitiu a autonomia do sistema prisional do estado. “A segurança pública tende a gastar só para evitar o crime e não para socializar o detento”, relatou.
Lessa também cobrou que a Justiça faça um mutirão para libertar as pessoas que continuam presas e já tiveram suas penas concluídas, ou até mesmo para agilizar o julgamento dos detentos ainda de maneira provisória.
A audiência foi encerrada.