Senadores questionam transparência; Dilma culpa fatores externos e perseguição política
A sessão prossegue nesta terça-feira (30), a partir das 10 horas
29/08/2016 - 20:59

Após o pronunciamento da presidente afastada, senadores se alternaram na defesa e no ataque à Dilma Rousseff.
Diversos parlamentares a acusaram de esconder da população a real situação financeira do País. Foi o caso de Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que a acusou de falsear as contas públicas e “falsear a História” ao apontar um golpe parlamentar no caso do processo de impeachment. “Como golpe? Golpe com a supervisão do Supremo Tribunal Federal?”, questionou. Para ele, a defesa da presidente está sendo garantida durante todo o processo.
Para Dilma, porém, a obediência dos ritos e prazos não garante a legitimidade do processo. “A forma só não basta, o conteúdo também deve ser justo”, defendeu. “Existem elementos desproporcionais em querer condenar uma presidente pela edição de três decretos de crédito suplementar, previstos sim na legislação”, reiterou. Senhores senadores, não cometam o crime de condenar uma inocente”, apelou.

Campanha
Ao questionar a presidente afastada, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez uma espécie de “revisão” da campanha eleitoral de 2014 e disse que Dilma mentiu durante seus debates, descartando, por exemplo, aumento da inflação e estagnação da economia que já se prenunciavam. “A senhora fala muito nos votos que recebeu, mas uma eleição não é um cheque em branco; o eleito tem responsabilidades e deve seguir as regras”, disse Aécio.
Em resposta, Dilma fez uma análise da situação econômica e política após sua eleição. Ela lembrou que, três dias após sair vitoriosa nas urnas, os Estados Unidos mudaram sua política fiscal e elevaram os juros, provocando a desvalorização generalizada das moedas, com efeito na inflação pela desvalorização do câmbio. Citou ainda a crise hídrica, que provocou aumento das tarifas.
A presidente afastada apontou que, além da conjuntura econômica, a partir do dia seguinte à eleição uma série de medidas políticas foram tomadas para desestabilizar seu governo. Ela exemplificou que, logo após a eleição, foi pedida recontagem de votos, depois uma auditoria das urnas, e, antes mesmo de sua diplomação, houve um pedido para auditar contas de campanha. “Sistematicamente, minha eleição foi tornada objeto da disputa política que ocorre no Brasil desde minha posse, e a partir daí o senhor vem me acusando, mas eu não menti”, respondeu.
Após os questionamentos dos senadores, a presidente Dilma Rousseff respondeu perguntas dos advogados de acusação, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal.
Em resposta, a presidente afastada negou que a crise econômica tenha começado em 2014. Segundo Dilma Rousseff, apenas intensificou-se de forma abrupta. Ela atribuiu a piora da crise à politização. "A conjuntura política agravou o processo econômico", disse Dilma Rousseff. Ela reafirmou que não cometeu crime de responsabilidade e por isso o impeachment será um ferimento "muito difícil de ser curado"
O advogado de defesa, José Eduardo Cardozo, preferiu não fazer perguntas. Em seguida, Dilma Rousseff apresentou suas considerações finais.
A sessão prossegue nesta terça-feira (30), a partir das 10 horas, quando ocorrerá a discussão entre defesa e acusação, cada parte poderá falar por 1h30. Depois cada senador poderá se pronunciar. Já estão inscritos 59 senadores, cada um terá 10 minutos, antes do início da votação.
A votação será aberta, nominal, e pelo registro eletrônico. A presidente Dilma será afastada de forma definitiva se a acusação receber pelo menos dois terços dos votos dos senadores, o que representa no mínimo 54 votos favoráveis ao impeachment.
Reportagem - Marcello Larcher e Lara Haje
Edição - Alexandre Pôrto