Debatedores ressaltam prejuízos ao consumidor se a Liquigás for vendida
A Liquigás, criada em 1953, é líder no mercado de distribuição de botijões de gás de até 13 quilos e está sob o controle da Petrobras desde 2005, inicialmente por meio da BR Distribuidora e, hoje, como subsidiária da estatal
11/07/2016 - 13:57

Em audiência na Câmara dos Deputados, o representante da Federação dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo de São Paulo, Wagner da Silva, foi um dos debatedores que ressaltou os riscos da venda da distribuidora de gás Liquigás para os consumidores.
"Com a privatização da Liquigás, iremos correr o risco de ter um gás de cozinha mais caro, menos pessoas empregadas no setor de GLP, menos competitividade entre as empresas, podendo gerar a formação até de cartel", disse Wagner Silva, durante debate na Comissão de Minas e Energia da Câmara.
Líder na distribuição de gás
A audiência pública reuniu, em sua maioria, palestrantes contra a privatização da Liquigás, uma das subsidiárias da Petrobras. O debate foi sugerido pelo deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), preocupado com informações da imprensa sobre a possível venda da empresa por valor inferior ao de seu faturamento.

A Liquigás, criada em 1953, é líder no mercado de distribuição de botijões de gás de até 13 quilos e está sob o controle da Petrobras desde 2005, inicialmente por meio da BR Distribuidora e, hoje, como subsidiária da estatal.
A empresa emprega mais de 3 mil funcionários e faturou R$ 3,8 bilhões em 2015. A imprensa chegou a divulgar que a empresa seria vendida por valores que variam de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,5 bilhão.
Além da Liquigás, o mercado de distribuição é controlado por outras quatro empresas: Ultragaz, Supergasbras, Nacionalgás e Copagaz.
Contra abusos de preços
O presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de GLP, Alexandre Borjaili, afirmou que o gás de cozinha é um produto de utilidade pública e que a Liquigás cumpre a função estratégica de controlar abusos de preço e inflação em um mercado já concentrado.

O deputado Domingos Sávio pediu à Petrobras que reveja os planos em relação à Liquigás. "Vamos alertar o governo de que essa é uma empresa estratégica, que precisa ser fortalecida e valorizada, para nos ajudar a quebrar o ambiente de cartel."
Segundo ele, "o Brasil está precisando de um mercado aberto em um produto essencial para o cidadão, que é o gás de cozinha".
Petrobras admite venda
A gerente do Departamento Jurídico de Aquisições e Desinvestimentos da Petrobras, Cláudia Zacour, admitiu a intenção da estatal de vender a distribuidora Liquigás.
No entanto, esclareceu que eventual decisão final, a cargo da assembleia geral de acionistas, só será tomada após um longo processo, que inclui, por exemplo, coleta de propostas não vinculantes, emissão de carta-convite, auditorias e aprovações governamentais.
"O plano de desinvestimento da Petrobras é, hoje, um dos principais pilares para a redução da dívida da empresa, porque ele se propõe a gerar caixa e reduzir a dívida da companhia, que, como se sabe, é bastante grande no momento”, disse Cláudia.
“O processo de desinvestimento da Liquigás, no momento, é apenas uma intenção. Não há nenhum compromisso firme da Petrobras com quaisquer proponentes para a aquisição da Liquigás", acrescentou.
18 empresas interessadas
Segunda Claudia Zacour, das 47 empresas convidadas para analisar a eventual compra da Liquigás, 18 manifestaram interesse concreto.
No entanto, a gerente da Petrobras deixou claro que qualquer operação envolvendo a empresa também estará sujeita à aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão do Ministério da Justiça que tenta evitar a concentração de mercado danosa à livre concorrência e ao consumidor.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Newton Araújo