Pesquisadores temem fusão de órgãos estaduais de Ciência e Tecnologia
15/06/2016 - 15:53
Gestores responsáveis por entidades de pesquisa estaduais disseram aos deputados da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática temer que a fusão dos ministérios (da Ciência, Tecnologia e Inovação com o das Comunicações) abra um precedente para que que se reproduza medidas parecidas nos estados, com risco para projetos em andamento em todo o País.

Para Luiz Carlos Campos Nunes, secretário-executivo do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), o risco é real. “A extinção do Ministério da Ciência e Tecnologia se reflete nos estados também”, disse.
O ex-senador Inácio Arruda, secretário da Ciência e Tecnologia e Educação Superior do Ceará, apontou o mesmo risco. “As FAPs complementam nos estados as ações da União. Há risco de as FAPs [Fundações de Amparo à Pesquisa] começarem a ser desmontadas nos estados depois dessa fusão”, alertou.
Os dois gestores consideraram a área de ciência e tecnologia e a de comunicações muito distintas. “As atividades dos dois ministérios são muito diferentes. O da Comunicação trata mais de regulação para evitar o grande poder das grandes empresas”, disse Nunes.
“É como se a gente implodisse o Ministério da Ciência e Tecnologia e incluísse debate sobre distribuição de canais de rádio e TV”, complementou Arruda.
Gustavo Balduíno, secretário-executivo da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), questionou a redução da estrutura do antigo ministério. “Qual a finalidade administrativa da medida? Em que ela se baseou? Que critérios foram usados para reduzir as quatro secretarias do ministério para apenas duas?”, questionou.
Reportagem - Antonio Vital
Edição - Natalia Doederlein