Temer entrega nova meta fiscal ao Congresso; Jucá anuncia licença do cargo de ministro
23/05/2016 - 18:06 • Atualizado em 23/05/2016 - 21:00
O ministro do Planejamento, Romero Jucá, anunciou que vai se licenciar do cargo a partir desta terça-feira (24) para que possa se defender da acusação de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato e para que a suspeita de obstrução da Justiça não atinja o governo.
A denúncia saiu no jornal Folha de São Paulo, que publicou a degravação de uma conversa entre Jucá e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Pela manhã, ele tinha explicado que não se referia às investigações da Lava Jato, mas à situação econômica do País.
"Eu não quero que paire nenhuma dúvida sobre o governo ou sobre o meu comportamento. Eu poderia ficar. O presidente me deu um voto e confiança, mas eu não quero servir de massa de manobra para o atraso voltar a este país. Então eu prefiro aguardar com tranquilidade a manifestação do Ministério Público e, a partir daí, tomaremos outra decisão", declarou.
Jucá disse que vai entrar com uma ação para que o Ministério Público informe se existe algo que o comprometa e negou, mais uma vez, ter agido no sentido de atrapalhar as investigações.
Entrega do documento

O anúncio da licença foi feito logo depois de o presidente interino da República, Michel Temer, ter comparecido pessoalmente ao Congresso Nacional para entregar a nova proposta de meta fiscal para 2016, que prevê déficit de até R$ 170,49 bilhões.
Jucá participou da reunião entre Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros, no gabinete da Presidência do Senado, junto com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e parlamentares da base governista.
O presidente do Senado não quis comentar o teor das conversas entre Jucá e Sérgio Machado. Ele alegou que não leu os diálogos e disse que esse caso não vai interferir na votação da alteração da meta fiscal. "Sinceramente, eu não vejo nenhuma relação. O que está em jogo é a necessidade de nós reduzirmos a meta fiscal para que este governo não entre na ilegalidade que o outro entrou".
Michel Temer não fez declarações.
Manifestação
Todos foram recebidos aos gritos de “golpistas” por manifestantes que se misturaram às dezenas de jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos que se aglomeravam diante do gabinete de Calheiros.
Ao chegar a seu gabinete, 20 minutos antes da chegada de Michel Temer, Renan Calheiros foi recebido pela deputada Moema Gramacho (PT-BA), que exibia cartazes contra o governo do presidente da República interino e cobrava a prisão de Jucá.
A deputada foi abordada pela segurança do Senado, que chegou a rasgar faixas, sob protesto de manifestantes que acompanhavam a deputada. “Jucá tem que ser preso como fizeram com o Delcídio do Amaral”, dizia a Gramacho.
Outro deputado do PT, Paulo Pimenta (RS), afirmou que a gravação vai embasar um pedido de anulação do processo de impeachment de Dilma Rousseff. "Revelam mais uma ilegalidade. Revelam tráfico de influências, chantagem em troca de votos para o processo do impeachment". Pimenta ressaltou, ainda, que o PT vai obstruir a votação da alteração da meta fiscal.
O deputado Beto Mansur (PRB-SP), que é da base de apoio ao governo interino, considerou positivo o presidente da República interino entregar a proposta pessoalmente ao presidente do Congresso, e considera fundamental a aprovação da proposta.
"Nós vamos ter um déficit, ou seja, estamos gastando mais do que estamos arrecadando neste ano, de R$ 170,5 bilhões. Essa é a verdade. É a mesma coisa que a dona de casa, o chefe de família: quando está gastando mais, tem que economizar. E nós vamos ter que cortar na carne”, disse Mansur.
Meta Fiscal
A meta fiscal entregue pessoalmente por Michel Temer a Renan Calheiros precisa ser votada pelo Congresso até 30 de maio para entrar em vigor no lugar da atual meta, que consta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), de superavit de R$ 24 bilhões nas contas primárias do governo federal. O novo déficit calculado pela equipe de Henrique Meirelles substituirá o enviado pela presidente afastada Dilma Rousseff, de R$ 96,6 bilhões, constante do PLN 1/16. O aumento é de 76,3%.
Reportagem - Antonio Vital
Edição - Luciana Cesar