Cunha classifica de desnecessário depoimento de Leonardo Meirelles no Conselho de Ética
07/04/2016 - 18:05

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, classificou o depoimento do proprietário do Laboratório Labogen, Leonardo Meirelles, ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar como desnecessário e sem relação com a denúncia contra ele no colegiado.
“É sempre uma tentativa de tentar me atribuir coisas das quais eu não sou partícipe. Vejo que esse depoimento é completamente desnecessário, não tem nada a ver com o fato, até porque o fato a que ele estava se referindo já estava na denúncia apreciada no Supremo [Supremo Tribunal Federal] e nessa parte rejeitada”, disse Cunha.
Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Meirelles atuava direta e indiretamente na gestão das empresas Labogen, Piroquímica, RMV e HMAR, praticando crimes de evasão de divisas ordenados pelo doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato. A estimativa é que as empresas tenham sido usadas para lavar 444,6 milhões de dólares entre janeiro de 2011 e março de 2014.
Meirelles fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR), já homologado pela justiça. Ele está em liberdade desde 11 abril de 2014 e teria entregado provas com detalhes da transferência de 5 milhões de dólares para supostas contas secretas de Eduardo Cunha no exterior. O dinheiro teria sido depositado em três parcelas: duas de 2,3 milhões de dólares, em outubro de 2011 e junho de 2012, e uma de 400 mil dólares em julho de 2012.
De acordo com Cunha, a entrega dos recursos já foi desmentida por ele durante a campanha eleitoral à presidência da Câmara, no início de 2015. “Ele fez menção a uma situação que já foi publicamente comprovada por todos vocês”, disse, se referindo ao esclarecimento sobre onde o dinheiro da suposta propina teria sido entregue por um policial funcionário de Youssef em uma residência de alguém não ligado a Cunha.
“Buscar nos fatos que estão sobre apreciação judicial para tentar colocar conduta de decoro é, primeiro, burlar a própria decisão do conselho com relação à sua admissibilidade e, em segundo lugar, querer criar situações que não tem amparo no regimento e na legislação para poder produzir condutas inadequadas. Então eu repudio isso”, afirmou Cunha.
O relator do processo contra Cunha no Conselho de Ética, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), afirmou que o depoimento estabelece nexo entre a origem do dinheiro e a destinação. “É um depoimento que tem aspectos importantes e relevantes, mas ele não é determinante para a confirmação de nada. Ele apenas aponta caminhos que lá na frente poderão ser confirmados ou não, a partir de outras provas que estamos buscando”, disse.
Reportagem - Tiago Miranda
Edição - Luciana Cesar