Política e Administração Pública

Deputados destacam papel do PMDB ao longo dos últimos 50 anos

30/03/2016 - 14:09  

Gustavo Lima / Câmara dos Deputados
Sessão em homenagem ao aniversário de 50 Anos do PMDB
Sessão solene na Câmara dos Deputados homenageou os 50 anos do PMDB

A Câmara dos Deputados comemorou, nesta quarta-feira (30), em sessão solene, os 50 anos de fundação do Partido do Movimento Democrático Brasileiros, o PMDB. No discurso de abertura, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que o meio centenário do partido coincide como um momento conturbado e pujante da história do Brasil.

“O País passa por um momento de extrema delicadeza, no qual as instituições têm sido testadas”, disse Cunha. “Diante da tempestade, o PMDB sempre se mostra um porto seguro, apesar da sua grande diversidade de correntes”, acrescentou.

Cunha comentou ainda a decisão do PMDB de abandonar o governo da presidente da República, Dilma Rousseff, destacando a tradição do partido de reunir forças políticas e ideias. “Embora o PMDB seja hoje ainda uma grande frente, essa frente em todos os momentos cruciais do País soube se juntar, a exemplo do que ocorreu ontem, e trilhar seu destino”, disse Cunha, destacando o PMDB como o maior e mais longevo partido do País.

O deputado Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG), que propôs a homenagem, relembrou momentos marcantes da história do partido, desde sua fundação como Movimento Democrático Brasileiro (MDB) até o momento atual. “No dia 24 de março deste ano, nosso partido completou 50 anos de lutas em favor do povo brasileiro, surgindo como representante das oposições ao regime de arbítrio que se instalou em 1964”, destacou Cardoso Júnior.

Por sua vez, o deputado Edinho Araújo (PMDB-SP) destacou o papel do partido em conquistas importantes, como a redemocratização, iniciada em 1985, com eleições indiretas. “Ao lado de Ulysses Guimarães, vimos despontar outros nomes do partido na árdua luta pela liberdade de pensamento e de expressão e pelo acolhimento de direitos humanos e políticos, como os nomes de Tancredo Neves, Teotônio Vilela, Paulo Brossard, Pedro Simon e nosso grande líder Michel Temer”, afirmou Araújo, ressaltando o nome do ex-deputado Ulysses Guimarães, um dos líderes da campanha pela redemocratização, cujo slogan era Diretas Já.

Líder do Partido na Câmara, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) apontou o partido como agente estabilizador da democracia reconquistada: “O PMDB de lá para cá foi um ponto de equilíbrio para a consolidação das instituições, mesmo com divergências, com disputas, com desentendimentos, mas sem perder de vista o desejo de dias melhores. Essas divergências são a força motriz que engrandece o PMDB, porque é das grandes divergências que nascem as convergências e os consensos”.

Saída do governo
O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) ressaltou a longa história do partido dizendo que 50 anos não são 50 dias, nem 50 meses, e cobrou dos correligionários compromisso para nunca cometer crime de lesa história. “Ontem o partido escreveu mais uma bela página na sua história. Por unanimidade, disse que é a favor de um novo Brasil, ao deixar o governo e a zona de conforto de quem ocupa sete ministérios e vários cargos, apresentando-se para a sociedade como uma alternativa viável”, disse o deputado.

Ex-ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS) concordou que este é o momento de o PMDB reassumir o protagonismo na politica nacional. “O PMDB correspondeu ontem [terça-feira, 29] àquilo que é o anseio de sua base partidária. De 10 peemedebistas, 11 queriam e querem uma candidatura própria, um projeto próprio e independente, do tamanho do nosso partido”, disse o ex-ministro, que deixou o cargo após a decisão do PMDB de abandonar o governo da presidente da República, Dilma Rousseff.
“Ontem dissemos que estamos independentes e que vamos cuidar com muito zelo das eleições municipais, pavimentando o caminho para chegarmos em alta velocidade em 2018”, acrescentou Padilha.

Eleito em 1986 como deputado constituinte e presidente da Câmara dos Deputados durante o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) disse que a principal vulnerabilidade do PMDB é a diversidade, que, segundo ele, dificulta a formulação de propostas nacionais. “Essa é a vulnerabilidade do meu partido cinquentão”, disse. Por outro lado, Ibsen destacou como virtude a capacidade do PMDB de unir extremos em nome de uma causa: “Nos momentos cruciais, ele é capaz de produzir não a sua unidade, mas a unidade da vontade dominante do País. Essa vocação é que ele esta procurando exercer nesta crise que vivemos”.

Novos rumos

Deputados de outros partidos, como DEM e PSDB, também parabenizaram o PMDB pelos 50 anos e cobraram responsabilidade do partido com a definição dos rumos do País. Pela liderança do PSDB, o deputado Luiz Carlos Hauly (PR) afirmou que, sem a intenção de fazer mudanças profundas, consultando partidos, iniciativa privada, trabalhadores e toda a sociedade, de nada valerá o esforço do PMDB. “A partir de 19 de abril, um novo governo vai se estabelecer, mas se não houver uma reforma profunda, do estado brasileiro, do sistema tributário, da previdência, do sistema trabalhista, não adianta nada”, disse.

Um dos fundadores do partido, o deputado Carlos Bezerra (MT) demonstrou preocupação com o futuro caso o País insista em manter a atual política econômica. “No aniversário do PMDB, temos que fazer tudo para que o partido ajude o Brasil a modificar essa farsa implantada desde a nova República. O povo vota e não muda. Em função disso, todos os políticos estão desacreditados”, lamentou Bezerra. “Essa política de juros altos só existe aqui, com a nação inteira trabalhando para meia dúzia de banqueiros. E os bancos oficiais - BNDES, Banco do Brasil e Caixa - todos voltados para os grandes, nunca para pequenos e médios, para concentração de renda e agiotagem”, criticou Bezerra, ao defender uma auditoria da dívida pública brasileira.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) reconheceu a importância do PMDB para a construção democrática do País. “Meu partido, o PCdoB, teve um momento que não pôde ter vida legal e foi abrigado ao MDB. E isso marcou a vida do meu partido”, ressaltou.
Silva também valorizou as contribuições do PMDB para o governo Dilma e disse que tem esperança em um momento de repactuação entre o partido e o atual governo.

Atualmente o PMDB ocupa a vice-presidência da República, com Michel Temer, as presidências da Câmara dos Deputados, com Eduardo Cunha, e do Senado, com Renan Calheiros, e tem 68 deputados, 18 senadores, além de 7 governadores e 1.022 prefeitos.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Luciana Cesar

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