Depoente diz desconhecer tráfico de influência para desvio nos fundos de estatais
16/02/2016 - 20:49
Em depoimento, nesta terça-feira (16), à CPI dos Fundos de Pensão, o presidente do Trendbank, Adolpho Júlio da Silva Mello Neto, negou conhecer esquema de tráfico de influência para desvios de recursos dos fundos de estatais.
Questionado pelo deputado Rocha (PSDB-AC) sobre sua relação com o executivo da empresa, Paulo Torres, mencionado em delação do doleiro Enivaldo Quadrado, Adolpho de Mello Neto afirmou que, apesar de conhecer o funcionário, não sabe se seu envolvimento em negócios ilícitos.
Linha de investigação da Operação Lava Jato, da Polícia Federal e Ministério Público, aponta Quadrado como um dos articuladores de esquema operado pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e pelo doleiro Alberto Youssef, com dinheiro dos fundos de pensão. Ele teria mencionado reunião com Torres em 28/02/2012 para negociar a captação de investimentos dos fundos, que seriam revertidos a pagamento de propina para empreiteiras e partidos políticos.
Enivaldo Quadrado foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ter recebido dinheiro do mensalão no início do Governo Lula e mais tarde passou a trabalhar para o doleiro.
"Denúncias infundadas"
Para o presidente do Trendbank as denúncias são infundadas, já que os investimentos aportados pela Postalis e Petros junto a Trendbank foram feitos, de forma pontual, em 2010, “posteriormente não houve mais nada”.
Ele também refutou ter conhecimento da denúncia levantada pela deputada Erika Kokay (PT-DF), de que empresas de fachada (Rockstar Marketing e Terraplanagem) atuavam como receptadoras dos recursos desviados dos fundos de pensão.
Adolpho Mello Neto, que não é investigado, afirmou aos deputados não conhecer o doleiro Alberto Youssef e o ex-tesoureiro do PT Joao Vaccari Neto, preso em Curitiba, desde março do ano passado.
Para o presidente da CPI, deputado Efraim Filho (DEM-PB), a oferta de investimentos arriscados e sem retorno, como os negociados pela Tradebank, é replicada pelos próprios operadores do mercado financeiro.
“Operações como as realizadas pelo Tradebank, mostram que esse esquema com os fundos de pensão vai muito mais longe do que simplesmente o conselho de administração dessas empresas”, ressaltou o parlamentar, ao citar depoimento do empresário Adir Assad (preso pela Operação Lava Jato), sobre a negociação de papeis sem lastro no mercado que abria margem para a lavagem de dinheiro.
Novos depoimentos
A CPI vai ouvir na próxima quinta-feira (18) o executivo chefe do banco de Nova Iorque, com sede no Brasil, Adriano Koelle. O BNY Mellon, é acusado de dar prejuízo ao Postalis.
Já o depoimento do presidente da empreiteira Engevix, José Antunes Sobrinho, marcado para hoje, ainda não tem nova data. O depoente justificou ao colegiado sua ausência por motivo de falecimento de familiar.
Os deputados da CPI dos Fundos de Pensão também devem votar na próxima sessão os novos requerimentos de convocação, entre os quais os do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, o do ex-ministro Antonio Palocci e o do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Newton Araújo