Júlio Delgado questiona indicação de Jozi Araújo para o Conselho de Ética
16/02/2016 - 16:49

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) questionou há pouco a indicação da deputada Jozi Araújo (PTB-AP) como nova integrante do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar em substituição ao deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que renunciou à vaga no colegiado. Delgado quer saber se, em caso de renúncia de membro do conselho, a vaga é do partido ou do suplente.
O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) afirmou que o Conselho não pode admitir interferências externas e também criticou a decisão do PTB de indicar a deputada Jozi Araújo. “Os membros do conselho cumprem mandatos que só podem ser interrompidos com renúncia. Quando um parlamentar titular renuncia, é automática a assunção de seu suplente”, defendeu.
Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, negou que tenha atuado pela troca do deputado Arnaldo Faria de Sá. “O que eu tenho a ver com o PTB? Quantas vezes já mudaram membros no Conselho de Ética?” questionou.
O presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), disse que vai decidir sobre a questão. Ele também informou que ainda não recebeu resposta da Mesa Diretora sobre sua questão de ordem contestando a decisão do 1º vice-presidente da Casa, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), de determinar que o processo relativo a Cunha recomeçasse a ser analisado a partir do estágio inicial.
Trâmites
O deputado Manoel Junior (PMDB-PB) questionou o novo relatório apresentado pelo deputado Marcos Rogério (PDT-RO) e disse que não foram respeitados os pedidos de vista: “Se a Mesa Diretora tivesse respeitado os trâmites da Constituição Federal, o Regimento Interno e o regulamento do Conselho, haveria celeridade e menos exposição negativa deste colegiado”.
O deputado Nelson Marchezan Junior (PSDB-RS) defendeu que o relatório seja lido imediatamente e que seja dada vista para o processo não ser protelado. Segundo ele, o PT e os aliados de Eduardo Cunha querem atrasar o processo. “A sociedade quer que tomemos uma decisão”, ressaltou. De acordo com Marchezan, há deputados que votam “pelo bolso”.
O líder do Psol, deputado Ivan Valente (SP), criticou a demora do processo e defendeu que o relatório seja votado e, que, se for derrotado, haja recurso ao Plenário. “São oito delações premiadas, são contas na Suíça; ele mentiu na CPI da Petrobras. Ele é culpado, sim; vamos garantir o direito de defesa, mas parece que ele não quer se defender”, disse Valente.
Eduardo Cunha afirma ser inocente e ressalta não ter cometido nenhuma irregularidade. O presidente argumenta que o delator Júlio Camargo, que não havia citado o seu nome em depoimentos anteriores, foi pressionado pelo procurador-geral da República a mudar de versão para prejudicá-lo. Cunha diz que foi “escolhido” para ser investigado como parte de uma tentativa do governo de calar e retaliar a sua atuação política.
A reunião acontece no Plenário 11.
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Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – João Pitella Junior