Participantes defendem maior presença de mulheres negras na política
Representantes de movimentos de mulheres negras e parlamentares defenderam nesta terça-feira (17) uma maior presença delas na política e criticaram o que chamaram de pauta conservadora da Câmara dos Deputados. Os debatedores participaram de Comissão Geral que discutiu a realidade das mulheres negras no País.

A ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, defendeu que elas tenham mais representatividade no parlamento. “Temos que enxergar a vida política como um lugar de militância e de representatividade. A violência que assombra as mulheres assombra muito mais as mulheres negras”, afirmou.
A coordenadora nacional de mulheres do PPS, Raquel Nascimento Dias, defendeu que as mães negras valorizem a história dos negros para seus filhos. “Não deixe sua filha embranquecer-se pelas princesas dos olhos azuis. Fale das Dandaras dos Palmares, conte a história da etnia dela, porque isso só a fortalece ”, afirmou.
Para a representante do Círculo Palmarino, Juscilene Carvalho, a marcha das mulheres negras prevista para esta quarta-feira (17) vai representar uma nova etapa da luta feminista: “Queremos sentar à mesa de decisões do Brasil”.
Conservadorismo
A representante da Articulação de Organizações de Mulheres Negras, Jurema Pinto Werneck, afirmou que um dos objetivos da marcha das mulheres negras é combater o conservadorismo do Congresso. Segundo ela, o País só vai para frente se conseguir eliminar o racismo e a violência. “O Congresso Nacional tem agido contra nós quando fomenta o ódio e a intolerância religiosa. O Congresso tem atentado contra nossos corpos, nossos direitos e nossa autonomia”, criticou.
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) defendeu que a Marcha das Mulheres Negras deve fazer parte da política progressista nacional: “É uma luta contra a pauta regressiva que tenta se afirmar como a pauta da política atual”. Ela criticou recentes projetos aprovados na Câmara, como o que dificulta o aborto em caso de estupro e o que regulamenta a terceirização de serviços.
Para o deputado Ivan Valente (Psol-SP) , a situação da mulher negra é pior porque ela enfrenta o racismo e o machismo, que colocam a mulher em uma posição muito mais vulnerável.
Violência
A representante da União Nacional de Negros e Negras, Olívia Santana, afirmou que os números do Mapa da Violência mostram que o racismo é evidente na sociedade brasileira. Segundo ela, a violência contra mulheres brancas caiu 10% e a cometida contra as mulheres negras aumentou 53% em relação a dados anteriores.
Olívia defendeu que as mulheres negras exerçam sua liberdade religiosa, em terreiros de Candomblé, sem serem vítimas de atos de intolerância: “Nós temos direito, capacidade de exercer poder e participar de um projeto democrático de governo, das instâncias de decisão política”.
A deputada Dânima Pereira (PMN-MG), que propôs o debate, pediu que o combate à violência contra a mulher seja constante: “Não discutir este assunto é um crime”. Ela destacou que os maiores desafios a serem superados para obter a igualdade estão ligados à condição cultural do povo brasileiro. “Só se muda uma cultura dando voz para aqueles que nunca foram ouvidos. Chega de racismo, chega de silêncio, chega de injúrias, chega de impunidade”.