CPI mantém em relatório críticas à delação premiada do doleiro Youssef
22/10/2015 - 01:42

A CPI da Petrobras rejeitou destaque apresentado pela bancada do PSDB, que pedia a retirada de um capítulo inteiro do relatório final da CPI, apresentado pelo deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).
O capítulo questiona a delação premiada do doleiro Alberto Youssef e afirma que ele descumpriu compromissos assumidos em uma delação anterior, quando foi acusado de remessa ilegal de divisas no caso conhecido como Banestado.
O relator relaciona a atuação de Youssef na época ao financiamento de campanha de políticos do PFL e PSDB e atribui responsabilidade a Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central do governo Fernando Henrique Cardoso.
“O relator questiona o instrumento da delação e a atuação do juiz Sérgio Moro”, justificou o deputado Bruno Covas (PSDB-SP), que assinou o requerimento.
“Provavelmente, o PSDB não quer que seja lembrado o fato de o ex-presidente do Banco Central ter sido responsabilizado por criar mecanismos que facilitaram evasão de divisas por meio de contas CC5”, rebateu Luiz Sérgio.
Outros deputados votaram pela manutenção do texto. “A delação premiada já está incorporada no nosso sistema jurídico”, disse o deputado Ivan Valente (Psol-SP).
Pedidos de indiciamento
Os votos em separado apresentados pelos deputados Antonio Imbassahy (PSDB-BA), Carlos Marun (PMDB-MS) e Ivan Valente foram rejeitados e serão considerados apenas votos individuais de seus autores. Ivan Valente queria o indiciamento de políticos denunciados pelo Ministério Público por irregularidades na Petrobras, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o deputado Arthur Lira (PP-AL) e os senadores Benedito de Lira e Fernando Collor. Todos negam ter recebido dinheiro desviado da Petrobras.
Antonio Imbassahy queria responsabilizar o ex-presidente Lula, a presidente Dilma Rousseff (ex-presidente do Conselho Administrativo da estatal) e os ex-presidentes da Petrobras José Sérgio Gabrielli e Graça Foster.
Já Carlos Marun queria que o relatório deixasse explícito que houve corrupção institucionalizada na Petrobras.
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Reportagem – Antonio Vital
Edição – Pierre Triboli