Deputados dizem que grampos ilegais podem comprometer a Operação Lava Jato
Deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras apontaram, há pouco, o risco de o caso dos grampos ilegais encontrados nas dependências da Polícia Federal em Curitiba (PR) comprometer toda a Operação Lava Jato.
Os comentários foram feitos durante o depoimento do delegado Maurício Moscard Grillo, responsável pela investigação interna da Polícia Federal a respeito do grampo encontrado na cela do doleiro Alberto Youssef na capital paranaense.
Grillo foi convocado a prestar esclarecimentos a pedido do deputado Aluisio Mendes (PSDC-MA) e se recusa a responder às perguntas, sob o argumento de que as investigações internas são sigilosas. “A sindicância que presidi foi anexada a um inquérito que corre em segredo de Justiça e posso esclarecer tudo assim que o sigilo for aberto”, disse.
O delegado concluiu que o aparelho encontrado na cela de Youssef era antigo, estava fora de uso e havia sido instalado na época em que a cela era ocupada pelo traficante Fernandinho Beira-mar.
Contestação
A conclusão do inquérito foi contestada por dois policiais ouvidos pela CPI: o agente Dalmey Fernando Werlang e o delegado Mário Fanton.
Werlang admitiu ter instalado o grampo na cela de Youssef, a pedido de delegados que conduzem a Operação Lava Jato, e informou que o aparelho de escuta não era o mesmo que havia sido instalado para gravar conversas de Fernandinho Beira-mar.
O delegado Fanton fez uma investigação própria sobre o caso e apontou ilegalidades na Operação Lava Jato. Werlang e Fanton chegaram a ser denunciados por calúnia pelo Ministério Público no Paraná, mas a denúncia foi rejeitada pela Justiça.
Ao se negar a responder às perguntas, Grillo foi questionado pelo deputado Aluisio Mendes, autor dos requerimentos de convocação dos policiais envolvidos no caso. “O agente Werlang afirmou que o número de série do equipamento encontrado na cela era diferente do que foi instalado no caso do Beira-Mar. O que nós queremos aqui é apurar o que está acontecendo na superintendência do Paraná, onde dois grupos estão se digladiando. A quem interessa comprometer a Operação Lava Jato? Essas pessoas serão responsabilizadas, inclusive o senhor”, disse o deputado.
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) também questionou a investigação feita por Grillo. “A sindicância que o senhor presidiu tem um resultado inverossímil. Seu colega disse aqui que aquele equipamento não existia na época a do Beira-Mar. Alguém lhe pediu para chegar a essa conclusão? O senhor foi orientado por que m?” perguntou a parlamentar.
“Vou me manter em silêncio”, respondeu o delegado.
O deputado João Gualberto (PSDB-BA) criticou o andamento da audiência. “É repugnante ouvir deputados que falam em defesa da PF e que na verdade só querem melar a Lava Jato”, disse.
Rede social
Maria do Rosário e o relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), também questionaram o delegado a respeito do conteúdo de mensagens postadas nos perfis de delegados da Operação Lava Jato em uma rede social, em que eles elogiavam o então candidato à Presidência da República Aécio Neves e criticavam a presidente Dilma Rousseff.
“O senhor tem opiniões golpistas”, disse Maria do Rosário. “Esse assunto foi objeto de uma sindicância, que foi arquivada”, afirmou o delegado.
A CPI está reunida no plenário 2.