Depoente confirma pagamento de propinas a empreiteiras contratadas pela Petrobras
24/09/2015 - 18:02

O empresário Leonardo Meirelles, acusado de envolvimento no esquema de remessas ilegais para o exterior e lavagem de dinheiro destinado a pagamento de propinas na Petrobras, confirmou nesta quinta-feira, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, ter operado com Alberto Youssef para empreiteiras contratadas pela estatal e admitiu pagamento de dinheiro a políticos — mas se recusou a fornecer os nomes, alegando estar negociando acordo de delação premiada com a Justiça.
Ele também acusou Youssef de mentir em sua delação premiada, o que levou deputados da CPI a questionarem as informações fornecidas pelo doleiro, o principal delator da Operação Lava Jato.
“A Obebrecht, a OAS, a Engevix, a Toyo Setal, a Galvão Engenharia e outras detalhadas nos meus depoimentos — todas fizeram operações por meio das minhas empresas”, disse, ao responder a uma pergunta do deputado Bruno Covas (PSDB-SP).
Meirelles é dono do laboratório Labogen, usado para mandar aproximadamente 130 milhões de dólares ao exterior a partir de falsos contratos de importação. O dinheiro seria usado para pagamento de propina, segundo investigações da Operação Lava Jato.
Contratos fictícios
Leonardo, junto com o irmão Leandro Meirelles, foi acusado de lavagem de dinheiro, criação de empresas offshore e contratos fictícios de importação por meio da Labogen e de outras empresas, como a Piroquímica Comercial, a RMV & CVV Consultoria em Informática Ltda. e a HMAR Consultoria em Informática Ltda.
As empresas simulavam a importação de produtos, como maneira de mandar dinheiro para o exterior. Esse dinheiro era remetido a empresas offshore e depois era usado para pagar propina.
Youssef foi sócio dele na Labogen, mas desde que foram processados eles trocam acusações na Justiça. À CPI, Meirelles acusou o doleiro de esconder patrimônio no exterior e de não ter contado tudo o que sabe — o que pode, segundo deputados, comprometer os benefícios judiciais obtidos pelo doleiro ao fazer acordo de colaboração.
Youssef e o ex-diretor da área de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa são os principais delatores das fases iniciais da Operação Lava Jato e obtiveram benefícios judiciais em troca de informações.
Os dois descreveram como funcionava o cartel de empresas que pagava propina a diretores da Petrobras e agentes políticos em troca de contratos, bem como os mecanismos usados nos pagamentos, feitos por meio de remessas ilegais ao exterior e de dinheiro em espécie. Eles acusaram políticos do PP, PMDB, PT e PSDB de terem se beneficiado pelo esquema, bem como as principais empreiteiras do país.
“Para mim ele está escondendo muito dinheiro no exterior. Ele já quebrou o acordo de delação no caso do Banestado e agora está sonegando bens e informações. Vai perder a delação”, disse o deputado Altineu Côrtes (PR-RJ).
O deputado Valmir Prascidelli (PT-SP) também questionou as informações prestadas por Youssef. “Ele está falando o que lhe convém e escondendo o que convém também”, disse.
Acareação
O deputado Ivan Valente (Psol-SP) propôs uma acareação entre Youssef e Meirelles. “Na minha opinião, todos os que fizeram delação premiada esconderam dinheiro”, disse Valente.
O empresário Leonardo Meirelles se disse disposto a participar da acareação com Youssef.
“Não é estranho o senhor ter se oferecido a participar de uma acareação e o juiz ter negado?” perguntou o relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), referindo-se ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR), onde correm os processos judiciais que não têm o envolvimento de políticos.
Segundo o relator, Youssef já quebrou um acordo de delação premiada feito com a Justiça antes da Operação Lava Jato: “No caso das fraudes no Banestado, ele se comprometeu a não voltar mais ao mercado de câmbio e não cumpriu.”
Reportagem – Antonio Vital
Edição – João Pitella Junior