Política e Administração Pública

Empresário diz que políticos receberam dinheiro do esquema da Petrobras

24/09/2015 - 17:54  

Luiz Alves - Câmara dos Deputados
Audiência pública para ouvir o depoimento do doleiro, Leonardo Meirelles. Dep. Bruno Covas (PSDB-SP)
Bruno Covas fez questionamento sobre os encontros do empresário Leonardo Meirelles com o ex-deputado André Vargas 

O empresário Leonardo Meirelles, acusado de evasão de divisas e lavagem de dinheiro destinado a pagamento de propina junto com o doleiro Alberto Youssef, admitiu nesta quinta-feira, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, que houve entrega de dinheiro a agentes políticos pelo esquema. Ele não quis revelar os nomes dos beneficiados.

“Não posso dizer porque estou em tratativas junto ao Ministério Público para fazer uma colaboração com a Justiça”, disse, ao responder a uma pergunta do deputado Ivan Valente (Psol-SP).

Ele admitiu, porém, que o ex-deputado André Vargas (PT-PR) participou de todas as fases da negociação entre uma de suas empresas, o laboratório Labogen, e o Ministério da Saúde.

A empresa de Meirelles negociou o fornecimento de citrato de sildenafila, um insumo farmacêutico, num contrato de R$ 150 milhões oficialmente tratado pelo ministério com outros dois laboratórios, o Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM) e a EMS.

Para a Polícia Federal, apesar de o Labogen não ter sido contratado oficialmente houve uma operação triangular com a participação das outras empresas.

Meirelles disse que Vargas o ajudou a abrir portas no ministério, mas não pediu propina: “Vargas participou de todas as fases da negociação com o Ministério da Saúde; mas em nenhum momento ele me pediu propina.”

“Onde o senhor se encontrava com ele?”, perguntou o deputado Bruno Covas (PSDB-SP). “Todas as reuniões sobe o projeto da Labogen aconteceram na Câmara, no gabinete da vice-presidência”, respondeu Meirelles.

Jatinho
Vargas, ex-vice-presidente da Câmara, teve o mandato cassado em 2014 depois de ter usado um jatinho alugado por Youssef e de ter sido acusado de intermediar negócios de Youssef, sócio de Meirelles, com o Ministério da Saúde.

Ele foi preso em uma investigação que não tem relação direta com desvios da Petrobras. Vargas é suspeito de envolvimento em um esquema de fraude em contratos de publicidade firmados pelo Ministério da Saúde e pela Caixa Econômica Federal (CEF).

Pagamento ao PSDB

Meirelles também confirmou ter ouvido do doleiro Alberto Youssef a informação de que houve pagamento para o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, para evitar uma CPI no Congresso.

“Em uma determinada oportunidade, Youssef estava no telefone com alguém e confirmou que faltava uma parte dos valores a serem pagos naquela situação do Sérgio; nas eu não vi dinheiro e não presenciei a operação”, disse.

“O Sérgio que o senhor menciona é o Sérgio Guerra?” perguntou o relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). “Sim”, respondeu Meirelles.

Youssef, em depoimento à CPI, disse que houve o pagamento de propina de R$ 10 milhões para evitar uma CPI no Congresso.

Meirelles também é suspeito na lavagem de dinheiro e evasão de divisas que motivou o pedido de abertura de processo contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Questionado a respeito do episódio, o empresário não quis responder. “Não vou falar. Isso faz parte de um acordo que está sendo redigido neste momento. Por isso não posso responder”, disse Meirelles.

O presidente da Câmara nega qualquer envolvimento no caso e afirma estar sendo vítima de perseguição movida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por motivos políticos. O pedido de abertura de processo contra ele ainda não foi apreciado pelo STF.

Da Redação

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