Empresário promete voltar a CPI quando ações penais contra ele forem finalizadas
Foi encerrado há pouco o depoimento do empresário Gerson de Mello Almada, vice-presidente da empreitera Engevix, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão.
Almada usou o direito de permanecer calado para não responder a perguntas de deputados que pudessem comprometê-lo e prometeu voltar ao colegiado quando as ações penais contra ele forem concluídas. O empresário foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro e corrupção, junto com outros executivos e funcionários da Engevix: Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor técnico; Luiz Roberto Pereira e Newton Prado Júnior, ambos diretores.
“Reitero o respeito a este trabalho, coloco-me à disposição de retornar quando as sentenças estiverem proferidas. Como ainda não sabemos o teor das penas das ações penais, resguardo-me nesse direito”, declarou Almada à CPI.
Delação
Vários parlamentares questionaram se Almada negocia processo de delação premiada com a Justiça. O empresário, porém, não adiantou se deve ou não fazer o acordo.
O deputado Fernando Francischini (SD-PR) pediu para que Almada fale das relações com os fundos de pensão em uma eventual delação. “Se o senhor for fazer a delação premiada, coloque os fundos de pensão. Assim, a gente consegue expandir para outros setores [além da Petrobras]. Nossa CPI precisa de uma delação que dê detalhes”, comentou.
Pela recusa do ex-vice presidente da Engevix em se manifestar, o presidente da comissão, deputado Efraim Filho (DEM-PB), afirmou que Almada assumia uma presunção de culpa em relação à atuação com os fundos de pensão e, por isso, seria considerado acusado pela CPI. “É importante que o senhor tenha consciência da responsabilidade e da recusa com o silêncio. Você será a primeira pessoa a passar de testemunha para acusado. Existem fatos relevantes em relação aos fundos de pensão que ainda não vieram à tona”, destacou.
Vaccari e Funcef
Nesta tarde, Almada confirmou conhecer o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto, condenado na segunda-feira (21) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com pena de 15 anos e 4 meses de reclusão.
O ex-vice presidente também confirmou conhecer o presidente do Fundo de Previdência da Caixa Econômica Federal (Funcef), Carlos Alberto Caser. O Funcef possui 18,69% do capital social da Desenvix Energias Renováveis junto com a norueguesa Statkraft, que adquiriu em julho parte do capital da empresa que era da Engevix.
Almada, preso durante a sétima fase da Operação Lava Jato, informou à Polícia Federal que pagou 120 milhões de dólares em propinas para o lobista Milton Pascowitch em troca de contratos no valor total de 3,4 bilhões de dólares com o estaleiro Rio Grande, comprado do grupo WTorre.