Política e Administração Pública

Começa reunião da CPI da Petrobras para ouvir ex-gerente de Abastecimento

22/09/2015 - 14:25  

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Começou há pouco a reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras convocada para ouvir o depoimento da ex-gerente da área de Abastecimento da estatal petrolífera Venina Velosa da Fonseca.

Ela afirmou à Polícia Federal ter sido afastada do cargo e perseguida administrativamente depois de denunciar superfaturamento em obras da Petrobras. Entre outras irregularidades, ela teria levantado suspeitas sobre a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e sobre gastos na área de comunicação da estatal.

A refinaria teve um custo inicial estimado em 2,5 bilhões de dólares, mas já consumiu cerca de 18,5 bilhões de dólares. Venina, em depoimento à Polícia Federal, responsabilizou o então diretor de Serviços da estatal Renato Duque.

A ex-gerente disse ainda ter alertado pessoalmente a ex-presidente da Petrobras, Graça Foster, entre 2009 e 2001. Foster, em depoimento à CPI, negou ter recebido as denúncias.

A Petrobras, por outro lado, incluiu Venina em uma lista de funcionários responsabilizados por prejuízos em contratos e licitações da empresa.

Venina foi acusada por uma sindicância interna, junto com o ex-gerente da área de serviços Pedro Barusco de responsabilidade em quatro irregularidades – uma delas a de não levar em conta um desconto de R$ 25 milhões oferecido pela empreiteira Alusa para o fornecimento de máquinas e equipamentos para as obras da Abreu e Lima.

Venina, na época, era subordinada a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e um dos principais delatores do esquema de desvio de recursos da estatal.

Barusco também é um dos delatores da Operação Lava Jato. Ele admitiu, em depoimento à CPI, ter recebido 70 milhões de dólares em propinas entre 1997 e 2013, dinheiro que totalizou 97 milhões de dólares, com os rendimentos, em contas no exterior. Barusco era o braço direito do então diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.

A ex-gerente afirma ter sido perseguida depois de fazer as denúncias. Ela disse que o mesmo aconteceu com outro funcionário da Petrobras, o ex-gerente jurídico Fernando de Castro Sá.

Sá, em depoimento à CPI, disse que denunciou a interferência de uma entidade ligada às empreiteiras, a Associação Brasileira de Montagem Industrial (Abemi), nos contratos da Petrobras.

Ele disse ter sido afastado do cargo e punido administrativamente depois de ter elaborado um dossiê sobre a Abemi. Segundo ele, as irregularidades ocorriam na Diretoria de Serviços, comandada na época por Renato Duque.

A reunião ocorre no plenário 4.

Reportagem - Antonio Vital
Edição - Newton Araújo

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