Ex-ministro defende reparação histórica para Jango
15/04/2004 - 15:39
O ex-ministro do Trabalho e ex-deputado, Almino Affonso, afirmou hoje que é preciso fazer uma reparação histórica sobre a acusação de que o ex-presidente João Goulart foi covarde em não resistir ao golpe militar de 1964. Ele participou da audiência pública sobre "O golpe de 64 e as transformações que o regime ditatorial impuseram ao Brasil", promovida pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Jango, segundo ele, foi acusado de covardia até pelo cunhado Leonel Brizola, por não ter tentado recuperar o poder. Affonso explicou que o ex-presidente não resistiu ao golpe, porque isso poderia desencadear uma guerra civil no País. João Goulart, segundo o ex-deputado, considerou o exílio uma medida a favor do Brasil. Almino Affonso explicou aos deputados como o presidente João Goulart atuou na oposição dos militares, que começou antes mesmo da posse e terminaria com o golpe de 64. O álibi militar para o golpe - o de que Jango era comunista - nunca foi comprovado, apesar de os livros de história reproduzirem sem questionamentos essa tese.
Responsabilidades
Almino Affonso afirmou, durante a audiência que, ao contrário do que ensinam os livros de história, o ex-presidente da República João Goulart não pode ser apontado como um dos responsáveis pelo avanço dos militares. Almino Affonso disse que Jango assumiu em situação de emergência, após a renúncia do ex-presidente Jânio Quadros, herdando todo o clima de um levante repentino.
A audiência, proposta pelo deputado Aloyzio Nunes Ferreira(PSDB-SP), teve a participação do presidente João Paulo Cunha, que avaliou que a iniciativa da CCJ enriquece o debate sobre os 40 anos do golpe militar.
Comunismo
Almino Affonso foi ministro do Trabalho no Governo João Goulart e companheiro do ex-presidente no exílio no Uruguai. Ele afirmou que, durante todo esse tempo, nunca ouviu nenhuma declaração de Jango que pudesse sequer sugerir que o ex-presidente planejava implantar o comunismo no Brasil. Ele disse ainda que, na verdade, no Governo de Jango não havia nenhum comunista. Segundo o convidado, nem Darcy Ribeiro, que na época era um dos dirigentes da Universidade de Brasília e um dos amigos de Goulart, que defendia teses mais à esquerda, não pode ser considerado um comunista.
Ao final da exposição, Almino Afonso anunciou que no final do ano volta à Câmara para lançar seu livro, onde narra memórias e bastidores das duas décadas de ditadura no Brasil.
Reportagem - Jonas Vianna
Edição - Ana Felícia
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