Política e Administração Pública

CPI deverá ouvir presidente do Coaf sobre empréstimo para construir porto cubano

15/09/2015 - 20:26  

Antonio Araújo / Câmara dos Deputados
Audiência pública para tomada de depoimento do secretário-executivo do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Liáo
Nesta terça-feira, a CPI ouviu o secretário-executivo do Coaf, Ricardo Liáo (D), que pouco acrescentou para esclarecer se houve irregularidades no episódio dos financiamentos para o porto de Mariel, em Cuba

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES deverá ouvir o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antonio Gustavo Rodrigues, para esclarecer reportagem do site Congresso em Foco sobre possíveis irregularidades na construção do porto de Mariel, em Cuba.

A obra, financiada pelo BNDES, foi executada pela Odebrecht, que teria feito um empréstimo de R$ 3 milhões à empresa de consultoria de projetos Noronha Engenharia. Esta mesma empresa teria recebido da Odebrecht mais de R$ 3 milhões para certificar a qualidade das estruturas do porto, antes de quitar a dívida do empréstimo.

Nesta terça-feira, o secretário-executivo do Coaf, Ricardo Liáo, compareceu à CPI como testemunha, mas pouco acrescentou para esclarecer a história. Liáo foi convocado porque, segundo a reportagem, teria achado a situação merecedora de mais esclarecimentos, para ser afastada qualquer suspeita de desvio de recursos públicos.

Ricardo Liáo disse que conversou com o jornalista pelo telefone em maio do ano passado e comentou com ele que, hipoteticamente, poderia haver indícios de uma operação "fora dos padrões".

No entanto, Ricardo Liáo disse desconhecer se o caso teve desdobramentos no Coaf: "Lá no Conselho, nós não chegamos a ter, vamos dizer assim, pelo menos dentro da área que eu trabalho, informações mais precisas sobre isso, mas agora a CPI vai fazer as requisições adequadas ao Conselho e, a partir daí, obter a certeza se houve comunicações, atendimento a algumas demandas e que grau de instrução foi dado aos processos que estão relacionados a esse tema".

Aprofundamento
Para o presidente da CPI, deputado Marcos Rotta (PMDB-AM), mesmo sem dar as informações esperadas, Ricardo Liáo cumpriu seu papel ao comparecer à CPI: "A comissão depurou as suas informações, os seus posicionamentos e pretende agora aprofundar ainda mais essa questão. Foi manifestado o desejo, o interesse de alguns parlamentares de convocar agora o presidente da Coaf para que a gente possa complementar a vinda o senhor Ricardo Liáo".

Silêncio
Autor do requerimento para a audiência, o deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), afirmou que todos os depoentes até hoje comparecem à CPI orientados no sentido de silenciar. Mas o deputado gostou da resposta de Ricardo Liáo, quando questionado se o BNDES teria condições de identificar situações irregulares.

"Ele diz categoricamente o que alguns ex-presidentes negaram que o BNDES não teria mecanismos, ferramentas para avaliar o superfaturamento de obras que foram financiadas crediticiamente pela instituição”, observou Jordy.

“Ele disse agora, com todas as letras, mais de uma vez, que o BNDES tem essas ferramentas, tem como avaliar, tem como saber se houve superfaturamento ou não. Esse é um ponto que nós precisamos ainda esclarecer futuramente", acrescentou.

Não sabem de nada
O deputado Caio Narcio (PSDB-MG) também criticou a postura do depoente desta terça. A seu ver, a população exige a verdade concreta. "Não queremos acusar ninguém sem ter provas, mas da maneira como está indo, dificilmente se chega lá. As perguntas aqui foram feitas para uma pessoa que assumiu não saber de nada, que a área del não é essa. Então, vamos ter de chamar quem sabe”, ressaltou.

“E o meu medo é de que a pessoa que sabe venha aqui e não vai saber de nada também, porque é isso que está acontecendo na CPI, infelizmente. Os ex-presidentes, o atual presidente. O que está sendo provado é que ninguém sabe de nada. Talvez é uma doença que todo mundo está herdando do ex-presidente Lula, que é o campeão de não saber nada", afirmou.

Novos depoimentos
Segundo o relator da CPI, deputado José Rocha (PR-BA), dois diretores do BNDES serão ouvidos na semana que vem (22). Em seguida, depõem procuradores do Tribunal de Contas da União e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, encerrando a etapa de oitiva de integrantes do BNDES. Depois será a vez do depoimento de empresários. A CPI tem até o dia 4 de dezembro para encerrar os trabalhos, mas há possibilidade de prorrogação, conforme ressaltou o relator.

Reportagem – Idhelene Macedo
Edição – Newton Araújo

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