Política e Administração Pública

Em acareação, empresário reafirma acusações e é chamado de mentiroso

Presidente da Setal Engenharia voltou a dizer que pagou propina a Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, e que parte dela foi entregue ao PT como doação de campanha. Duque afirmou que ele mente e Vaccari, ex-tesoureiro do partido, se manteve em silêncio

02/09/2015 - 16:26  

O empresário Augusto Mendonça Neto repetiu, em depoimento à CPI da Petrobras em Curitiba (PR), nesta quarta-feira (2), o teor das acusações que fez em processo de delação premiada à Justiça Federal. Ele acusa o PT, o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque de recebimento de propina, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Ao ser colocado frente a frente com Vaccari e Duque, o empresário foi chamado de mentiroso e ladrão, e acusado de ter entrado em contradição diversas vezes ao longo dos depoimentos.

Mendonça, que é presidente da Setal Engenharia, disse ao Ministério Público que pagou entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões em propina a Renato Duque, entre 2008 e 2011. Ele disse que parte da propina foi paga na forma de doações oficiais ao PT.

Primeiro executivo a fazer delação premiada na Lava Jato, em 2014, ele afirmou que as empresas do seu grupo (Setec, Projetec, Setal Óleo e Gás - SOG e PEM Engenharia) receberam R$ 117 milhões das obras das duas refinarias Getúlio Vargas (Repar) e de Paulínia (Replan).

Desse montante, segundo ele, R$ 4,26 milhões foram parar nas contas de quatro diretórios do PT, entre 2008 e 2012: o Diretório Nacional, o Diretório da Bahia, o Diretório Municipal de Porto Alegre e o Diretório Municipal de São Paulo. Os pagamentos foram prioritariamente para o PT nacional, com liberações mensais. Ao todo, teriam sido feitas 24 doações eleitorais para o PT.

Repasses
Ele confirmou as acusações durante a acareação, em Curitiba. “Esses repasses eram feitos de forma parcelada para dificultar que a polícia descobrisse?”, perguntou o deputado Delegado Waldir (PSDB-GO). “Não, era só uma questão de caixa”, respondeu o empresário.

“O senhor Augusto Mendonça mente. Ele não conseguiu provar nada do que disse porque mente”, rebateu Renato Duque, apesar de orientado por seus advogados a ficar calado na acareação.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) leu diversos trechos de documentos da Operação Lava Jato em que Duque é acusado de gerenciar o pagamento de propinas ao PT. “Pedro Barusco disse que algo entre 150 a 200 milhões de dólares foram desviados da Diretoria de Serviços para o PT. E outros delatores falaram a mesma coisa, não só o Augusto Mendonça”, disse.

Mendonça detalhou como ocorriam os repasses. "Parte dos pagamentos era feito em espécie e entregue a emissários em meu escritório. E parte era depositada em contas no exterior movimentadas por Mário Góes”, disse Mendonça. Preso na Operação Lava Jato, Mário Góes é acusado de ser operador do esquema e de intermediar o pagamento de propina por empresas contratadas pela Petrobras.

"Ele é um mentiroso", repetiu Duque. "Mas ele mencionou o seu nome 125 vezes", disse o deputado Altineu Cortes (PR-RJ). "Ele mentiu todas as vezes", respondeu o ex-diretor da Petrobras.

Mendonça também reafirmou que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari ligava para ele cobrando o pagamento de propina. Vaccari disse se manteve em silêncio durante a acareação.

Reportagem – Antonio Vital
Edição – Daniella Cronemberger

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