Petistas apontam contradições nos depoimentos de Mendonça
02/09/2015 - 16:25
Deputados do PT apontaram contradições nos depoimentos em que o empresário Augusto Mendonça Neto acusou o partido de ter recebido propina de empresas contratadas pela Petrobras, inclusive as dele, por meio do ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque, e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
“O senhor disse, no depoimento anterior à CPI, que fez os pagamentos a pedido de Duque, mas aqui disse que fez os pagamentos a pedido de Pedro Barusco (ex-gerente de Serviços, outro delator do esquema de desvios na Petrobras)”, disse o deputado Valmir Prascidelli (PT-SP). “Se eu falei algo diferente naquela ocasião, eu me enganei”, rebateu o empresário.
O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) leu trecho de depoimento de Mendonça em que ele diz que não tinha como garantir que o dinheiro entregue por ele a um emissário de Barusco e os repasses feitos em contas no exterior tenham tido como destino o PT. Nesse depoimento, ele afirmou que havia um acerto entre ele e Duque, mas não podia afirmar que havia um compromisso entre Duque e Vaccari.
Ex-diretor
Renato Duque, apesar de ter dito que não falaria sobre as acusações que pesam contra ele, questionou Mendonça, sobre a afirmação de que os repasses em dinheiro ao PT eram entregues em seu escritório, todas as terças-feiras, a um emissário de Barusco apelidado de ”Tigrão”.
“Ele cita que o Tigrão tinha entre 1,70 e 1,80 m de altura, que era meio gordinho, e metade da população se enquadra nessa descrição. Além disso, em nenhum momento antes ele disse que os repasses eram feitos às terças-feiras”, disse Duque.
O ex-gerente da Petrobras acusou o empresário de “ladrão” ao responder pergunta da deputada Eliziane Gama (PPS-MA) sobre o pagamento de propina que teria sido intermediada por Mendonça e pelo empresário Júlio Camargo – outro delator do esquema de desvio de recursos da Petrobras.
Duque foi acusado de receber propina por Mendonça e por Camargo, que apontou como origem do dinheiro o Consórcio Interpar, formado pelas empresas SOG, Mendes Júnior e Skaska, contratado para a execução de obras da refinaria Presidente Vargas (Repar), em Araucária (PR). A SOG é uma das empresas do grupo de Mendonça e, segundo Camargo, a propina paga a Duque foi de R$ 12 milhões.
“Ele disse que recebeu dinheiro do consórcio, através do Júlio Camargo, para repassar propina. Ele disse que pagou R$ 33 milhões de propina a mando do Júlio, mas o Júlio disse que a propina foi de R$ 12 milhões. Ele tem que explicar a diferença, onde está o dinheiro. Ele roubou do consórcio”, acusou Duque.
Mendonça disse que a acusação faz parte da estratégia de defesa de Duque. “Ele pode falar o que quiser. Meu papel como colaborador é dizer a verdade sobre os fatos. Eu entreguei para o Ministério Público todos os contratos e notas fiscais que mostram a saída dos recursos. Entreguei também as contas que foram me indicadas para depositar”, respondeu o empresário.
Partido
O PT nega o recebimento de propina de empresas contratadas pela Petrobras e afirma que as doações de campanha foram feitas oficialmente e registradas na Justiça Eleitoral.
Renato Duque foi diretor de Serviços da Petrobras entre 2003 e 2012. Ele e o ex- tesoureiro do PT João Vaccari Neto foram denunciados por corrupção e lavagem de dinheiro em quatro obras da Petrobras.
Dois gasodutos e duas refinarias, segundo a denúncia, teriam rendido R$ 136 milhões em propinas. Vários delatores do esquema, como o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, o ex-gerente de Tecnologia Pedro Barusco e o doleiro Alberto Youssef apontam que Duque atuava em nome do PT e que o operador da propina para o partido seria Vaccari.
Já João Vaccari Neto aparece com destaque nos depoimentos feitos pelo ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco, em delação premiada. Barusco admitiu à Justiça e à CPI da Petrobras ter recebido propinas em cerca de 90 contratos da Petrobras, entre 2003 e 2011, dinheiro também repassado a Vaccari e a Renato Duque, segundo ele.
Reportagem – Antonio Vital
Edição – Daniella Cronemberger