Mais dois depoentes da CPI permanecem em silêncio
02/09/2015 - 16:24
Os dois convocados a depor pela CPI da Petrobras nesta quarta-feira (2), o publicitário Ricardo Hoffmann e o empresário Fernando Hourneaux de Moura, permaneceram em silêncio durante a reunião em Curitiba (PR).
Todos os 13 presos pela Operação Lava Jato que a CPI tentou ouvir em Curitiba, desde segunda-feira (31), ficaram calados e não responderam as perguntas dos deputados. “O importante é que a CPI fez o que tinha que fazer. Não dá para saber quando o convocado vai colaborar ou não. Nossa obrigação é convocá-los”, disse o presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB).
Foi a segunda vez que Hoffmann foi convocado pela CPI, e a segunda vez em que ficou calado, usando o direito constitucional de não se auto-incriminar. O silêncio irritou os deputados, que questionaram a convocação do publicitário. “Temos que chamar só quem está disposto a falar”, disse o deputado Ivan Valente (Psol-SP).
Os deputados Delegado Waldir (PSDB-GO) e Aluisio Mendes (PSDC-MA) concordaram. “Essa convocação é inútil. Ele já veio aqui e não falou nada. Temos que ter mais cuidado com essas convocações”, disse Waldir.
O publicitário é acusado de intermediar contratos fraudulentos de publicidade com o Ministério da Saúde, com a ajuda do ex-deputado federal Andre Vargas (PR). Os dois foram presos na 11ª fase da Operação Lava Jato.
Segundo a denúncia, a agência Borghi/Lowe, que tinhas as contas publicitárias de entidades públicas como a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde, teria contratado serviços das empresas E-noise, Luis Portela, Conspiração, Sagaz e Zulu Filmes.
Essas empresas, que não estão envolvidas, eram orientadas a realizar pagamentos de comissões de bônus de volume nas contas das empresas Limiar e LSI, controladas por André Vargas e o irmão dele, Leon Vargas. A comissão, segundo a Polícia Federal, era de 10% do contrato com as produtoras.
Dirceu
O empresário Fernando Hourneaux de Moura também permaneceu em silêncio. Ele se recusou a dizer se representava o ex-ministro José Dirceu em negócios da Petrobras, como aponta a investigação da Polícia Federal. Convocado na segunda-feira, Dirceu também se recusou a responder perguntas.
Moura foi acusado pelo empresário Milton Pascowitch de ter recebido R$ 5,3 milhões em propina pelo contrato de obras da Unidade de Tratamento de Gás Natural de Cacimbas, em Linhares (ES).
Pascowitch também foi preso pela Lava Jato, acusado de intermediar pagamento de propina de empresas contratadas pela Petrobras, como a Engevix, para diretores da estatal.
Segundo Pascowitch, foi Moura quem indicou Renato Duque para a diretoria de Serviços da estatal. O empresário também contou à Polícia Federal que Dirceu, por meio da empresa JD Consultoria, intermediou a contratação da Engevix pela Petrobras para a construção da unidade de tratamento de gás de Cacimbas, em Linhares, no Espírito Santo, um projeto de R$ 1,4 bilhão.
A Engevix é uma das empresas acusadas de formação de cartel e pagamento de propina a diretores da Petrobras e agentes políticos. A empreiteira participou de licitações para reforma das refinarias Abreu e Lima (PE) e Getúlio Vargas (PR).
Reportagem – Antonio Vital
Edição – Daniella Cronemberger