Política e Administração Pública

Marcelo Odebrecht afirma que não pretende fazer delação premiada

01/09/2015 - 15:03  

O presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, foi o único dos cinco executivos da companhia convocados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras a aceitar responder a algumas perguntas feitas pelos deputados nesta terça-feira (1º), em Curitiba.

Os demais ficaram em silêncio e se limitaram a repetir, dezenas de vezes, que não iriam se pronunciar. Odebrecht quebrou o silêncio para responder a questões que não tinham relação direta com as acusações que pesam sobre ele.

Ele disse, por exemplo, que não pensa em colaborar com a Justiça por meio de delação premiada. “Para alguém dedurar, tem que ter o que dedurar, o que não é o caso”, afirmou, ao responder pergunta do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), um dos sub-relatores da CPI.

Ele também admitiu ter conversado com a presidente Dilma Rousseff e com o ex-presidente Lula sobre a Petrobras – ao responder pergunta do deputado Bruno Covas (PSDB-SP). “É provável e natural que sim. Mas sempre foram conversas republicanas”, disse.

Ao ser questionado pelo deputado Carlos Andrade (PHS-RR) a respeito da suspeita de favorecimento à Petrobras na aquisição de empresas petroquímicas, ele se recusou a responder.

“O senhor me dá uma oportunidade de me defender, eu agradeço, mas isso faz parte da minha defesa e será revelado à Justiça”, disse o empresário. "Eu sempre estive à disposição da mídia, dos deputados, da Justiça, prestei depoimento ao Supremo Tribunal Federal, mas, infelizmente, neste momento, no que tange ao processo criminal em andamento, já que as testemunhas ainda estão sendo ouvidas, espero que entendam essa situação", alegou.

Plano de fuga
Marcelo Odebrecht, ao responder pergunta do deputado Delegado Waldir (PSDB-GO), negou informação publicada na imprensa a respeito da existência de um plano de fuga do País em função das investigações da Operação Lava Jato. "Jamais pensei nisso", disse.

O deputado perguntou ainda se era verdade outra informação publicada na imprensa. "É verdade que seu pai, Emilio Odebrecht, disse que se o senhor fosse preso seria preciso construir uma cela para a presidente Dilma e para o ex-presidente Lula?", perguntou.

"Senhor deputado, é muito perigoso falar em suposições. Eu tenho muito orgulho dos princípios morais que meu pai me transmitiu", rebateu o empresário.

Ele afirmou ainda ser favorável à doação empresarial para campanhas eleitorais, ao ser perguntado pelo deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

Odebrecht defendeu a atuação de suas empresas, ao ser questionado pelo deputado se era verdade que ele é considerado uma das nove pessoas mais ricas do Brasil.

“Essa informação foi publicada em uma reportagem que confundiu o valor da empresa com o meu patrimônio. Eu sou só um dos ‘n’ acionistas. Esse valor está à disposição da sociedade, na forma de empregos. Na organização, a empresa é rica e a família é pobre. Nós temos um histórico de baixa distribuição de dividendos e de muito pagamento de impostos. Talvez nós gastemos mais com programas sociais que com distribuição de dividendos. Quando há um problema na Odebrecht, quem perde é a sociedade brasileira”, disse.

“Esse não é o sentimento da sociedade brasileira sobre a Odebrecht”, destacou Delegado Waldir.

Reportagem – Antonio Vital
Edição – Marcos Rossi

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