Política e Administração Pública

Doleiro e ex-diretor da Petrobras acusam Gabrielli de saber de operações suspeitas

25/08/2015 - 20:54  

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Audiência pública para acareação dois principais delatores da Operação Lava Jato.) Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa
Paulo Roberto Costa fez questão de dizer que a compra de Pasadena foi de responsabilidade do Conselho de Administração da Petrobras, presidido na época por Dilma Rousseff.

O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli foi mencionado diversas vezes como responsável final por operações suspeitas de provocar prejuízo à Petrobras pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa.

As afirmações foram feitas durante a sessão de acareação promovida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras entre Costa e o doleiro Alberto Youssef.

Segundo o ex-diretor, Gabrielli teve a palavra final sobre operações como a compra da petroquímica Suzano pela estatal.

O empresário Auro Gorentzvaig, ex-sócio de outra petroquímica, a Triunfo, afirmou, em depoimento à CPI, que a estatal comprou a empresa Suzano Petroquímica pelo dobro do preço, operação feita para beneficiar a Odebrecht.

A Suzano foi comprada pela Petrobras por R$ 4,1 bilhões, sendo que a companhia, segundo ele, valia a metade. “A palavra final dessa compra, que deu prejuízo à Petrobras, foi do Gabrielli?”, perguntou o deputado Altineu Cortes (PR-RJ) a Paulo Roberto Costa. “A palavra final foi do presidente da companhia”, respondeu o ex-diretor.

A negociação, segundo o doleiro Alberto Youssef, envolveu o pagamento de propina. Youssef admitiu ter recebido R$ 9 milhões como comissão pela venda da Quattor (junção das petroquímicas Suzano e Unipar) pela Braskem (uma subsidiária da Odebrecht).

Refinaria de Pasadena
O nome de Gabrielli também foi mencionado por Costa no caso da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

A Petrobras comprou a refinaria de Pasadena em 2006 por 1,18 bilhão de dólares. A mesma refinaria tinha sido comprada por outra empresa, um ano antes, por 42,5 milhões de dólares.

Paulo Roberto Costa fez questão de dizer que a compra da refinaria foi de responsabilidade do Conselho de Administração da Petrobras, presidido na época por Dilma Rousseff. “A diretoria não tinha autonomia para isso”, disse. O único membro da diretoria que tinha assento no conselho era Gabrielli.

“Temos que convocar novamente Gabrielli”, disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Em depoimento à CPI, Gabrielli e a sucessora dele na presidência da Petrobras, Graça Foster, disseram que o negócio, analisado hoje, foi ruim, mas que na época parecia promissor em função do preço do petróleo no mercado internacional – e que a desvalorização se deveu em parte à queda no preço do petróleo e à exploração do petróleo extraído do xisto nos Estados Unidos.

Paulo Roberto Costa admitiu ter recebido 1,5 milhão de dólares para “não atrapalhar” a compra da refinaria. “Confirmo o teor dos meus depoimentos anteriores”. Segundo ele, a propina foi paga por Fernando Soares, preso em Curitiba (PR), acusado de ser o operador do PMDB no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.

Reportagem – Antonio Vital
Edição – Regina Céli Assumpção

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