CPI da Petrobras é marcada por discussões sobre condução das investigações
A sessão da CPI da Petrobras está sendo marcada por discussões entre os deputados, motivadas por críticas de integrantes da comissão a respeito da condução das investigações.
O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), teve uma discussão áspera com o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que cobrou foco nas investigações, com a convocação de pessoas mais diretamente ligadas ao esquema descoberto pela Operação Lava Jato, como o empresário Júlio Camargo.
“Todo mundo vê que a CPI está indo por água abaixo”, disse Delgado. Motta reagiu. “Causam estranheza suas colocações, principalmente porque o senhor é um dos poucos aqui que não podem cobrar explicações à CPI. Pelo contrário, o senhor é quem deve explicações, já que, como membro da CPMI da Petrobras, no Senado, não se furtou a ir pedir dinheiro para campanha para uma das empresas investigadas”, disse Motta, se referindo à menção de Delgado no depoimento do empresário Ricardo Pessoa, da empreiteira UTC.
Em acordo de delação premiada, Pessoa disse que fez doações de campanha a Delgado, que defende a convocação do empreiteiro e pediu para permanecer como integrante da comissão para poder participar do interrogatório. “Eu não devo nada”, disse Delgado.
A condução dos trabalhos da CPI foi criticada na sessão de hoje pelos deputados Ivan Valente (Psol-SP), Altineu Cortes (PR-RJ) e Eliziane Gama (PPS-MA).
Depoentes em silêncio
O operador de câmbio Raul Srour foi dispensado pela CPI depois de se recusar a responder as perguntas dos deputados a respeito das acusações de seu envolvimento com o esquema ilegal de evasão de divisas do doleiro Alberto Youssef.
O segundo depoente de hoje, o operador de câmbio Fernando Heller, diretor da corretora TOV, também informou que vai permanecer em silêncio.
A CPI se reúne no plenário 11.