Laboratório hacker apresenta aplicativos sobre educação e participação política
19/08/2015 - 18:17

Hackers de todo o País apresentaram aos parlamentares nesta quarta-feira (19) diversos jogos e aplicativos que envolvem atividades educativas para esclarecer, de maneira lúdica, o dia a dia da política e do Congresso Nacional. O evento é uma iniciativa do Laboratório Hacker, projeto da Câmara dos Deputados que reúne criadores da área de informática para oferecer soluções para o Legislativo.
Formada em designer gráfico, Júlia Carvalho desenvolveu o jogo “Atos”, um jogo de tabuleiro que simula as dinâmicas que ocorrem no sistema político brasileiro.
“Você é um personagem que é um partido. E o jogo explica o que é o presidencialismo de coalizão, como funciona o pluripartidarismo na esfera no Congresso e do Executivo. E brinca com a questão da eleição, como ela determina vários outros momentos da política, como apoio político, apoio popular, greves", disse Júlia.
A designer afirmou que, em breve, o jogo estará disponível em plataforma digital, de graça, para ser replicado em escolas.
Disputa partidária
Guilherme Cianfarani trabalha como designer de games e criou o jogo “Homens Partidos”, que mostra como é a disputa partidária no Brasil, desde a redemocratização até os dias de hoje. Vence o jogo aquele partido (PT, PMDB, PSDB, PFL-DEM, pequenos partidos de esquerda e de direita) que conseguir adquirir o maior legado político.
"A ideia é trabalhar jogos como uma ferramenta de educação. Outra ideia do jogo é mostrar como os poderes se cruzam (Executivo, Judiciário, Legislativo) com o poder do capital, que entra no jogo como grandes varejistas, grandes empreiteiras, grandes bancos, grande mídia", explicou.
A jornalista Nina Weingrill desenvolveu o “Jogo da Política”, que simula a vida em uma cidade a partir de perguntas como: “o que é um julgamento?”, “como é dividido o orçamento de uma cidade?”, “como as leis são criadas?”. O objetivo, segundo ela, é instigar o público a descobrir interesses dentro da política, a pesquisar soluções para problemas e, assim, se tornar mais crítico e participativo.
Recursos Educacionais Abertos
O coordenador do Laboratório Hacker da Câmara, Cristiano Ferri, ressaltou que as iniciativas apresentadas no evento podem ser um recurso educacional aberto para que outras pessoas utilizem os jogos livremente sem ter que pagar nada e para que qualquer escola do Brasil possa utilizar.
Ferri explicou que o evento ocorreu a pedido das comissões de Educação e Cultura. Essas comissões promoveram nesta quarta-feira um seminário internacional que reuniu especialistas na defesa do uso de conteúdo educacional compartilhado por meio de licenciamento aberto para estudantes de todos os níveis educacionais, os chamados Recursos Educacionais Abertos.
Juventude interessada
A deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO) acredita que a iniciativa pode fazer com que os jovens se interessem mais por política.
“Hoje, no mundo da política, a juventude e a população em geral estão tão descrentes que não querem se envolver. E, através do jogo, você consegue mobilizar e trazer a atenção. É o jeito que enxergo de trabalhar um cidadão diferente, que conheça os seus direitos, e saiba como é o jogo político e como pode ser mudado. Se ele conhece o que está acontecendo, ele sabe o quanto pode ser diferente”, afirmou a parlamentar.
Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Pierre Triboli