Economia

Indústria automobilística contribui para retração da economia, admite Luiz Moan

Presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores aponta previsão de queda na produção de 18% neste ano

11/08/2015 - 11:54   •   Atualizado em 11/08/2015 - 14:51

O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, reconheceu nesta terça-feira (11) que a indústria automobilística contribui para puxar a economia brasileira para baixo. Com previsão de queda na produção de 18% neste ano, em relação a 2014, o setor passa por dificuldades em razão da retração no mercado interno e de redução nas exportações, por conta de perda de competitividade.

Antonio Augusto / Câmara dos Deputados
Audiência pública para discutir a queda na produção de veículos e dispensa de trabalhadores no país e no Estado de São Paulo. Presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea/Sinfavea), Luiz Moan;
Luiz Moan, representante da indústria de automóveis: "Há uma crise de confiança do consumidor brasileiro"
No que diz respeito ao mercado interno, Moan acredita haver uma crise de pessimismo. "Não vejo no mundo real um fundamento para uma queda de vendas desse tamanho. Há uma crise de confiança do consumidor brasileiro", afirmou em audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, sobre a queda na produção de veículos.

"Nós temos uma economia forte, uma parque industrial diversificado, um mercado consumidor dos maiores do mundo. Então, o que precisamos agora é rapidamente concluir o ajuste fiscal, para que possamos saber qual é a regra do jogo, e, conhecendo a regra, atrair de volta o consumidor para as nossas lojas”, acrescentou.

A audiência foi sugerida pelo deputado Luiz Lauro Filho (PSB-SP), preocupado com a queda do emprego no setor. "São férias coletivas, anúncios de demissão em massa, funcionários dispensados por telegrama. Não há nada que possa impactar mais a vida de um país do que o desemprego", observou o parlamentar.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego indicam queda nos empregos na indústria automobilística. Só em São Paulo, foram perdidos cerca de 36,7 mil postos nos últimos 12 meses, com base em junho deste ano.

Luiz Moan manifestou preocupação com a manutenção dos empregos. Segundo ele, a indústria automotiva mantém 37 mil funcionários em férias coletivas, em licença remunerada ou em contrato de trabalho suspenso para evitar demissões.

No total, a indústria emprega diretamente cerca de 136 mil trabalhadores, número que sobe para 5 milhões se somadas a cadeia produtiva e de pós-venda.

"O nosso funcionário tem um nível de qualificação diferenciado. Isso é fruto de um treinamento. A última coisa que nossa indústria gostaria que acontecesse era perder o seu ativo", disse Moan.

Medidas
A diretora de Indústrias de Transportes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Margarete Gandini, prefere enxergar uma oportunidade na crise. O governo, disse, está trabalhando principalmente em programas de proteção do emprego (PPE) e de exportações (PNE).

"O mercado interno está retraído, mas há o mercado internacional. Temos condições de retomar. Temos feito um grande esforço para renegociação dos acordos automotivos, com o México em março ou a Argentina em junho, por exemplo", citou.

Luiz Moan manifestou apoio às propostas do governo. No que diz respeito à prorrogação de acordos para exportação, ele disse que a indústria está pronta para iniciar as negociações para exportações para países da América Latina e também da África, que importa principalmente maquinário agrícola.

Outra medida governamental é a simplificação da transferência de veículos usados, a fim de favorecer a compra de novos. Há ainda o Programa Inovar-Auto, que já investiu R$ 4,6 bilhões na inovação tecnológica do setor desde que foi lançado em 2012.

Segundo Margarete Gandini, o Brasil possui hoje 23 fabricantes automotivos habilitados, contra 17 em 2012. A expectativa é que mais três marcas comecem a produzir no País até 2016.

O setor automotivo, disse ainda a diretora, é responsável por 20% do PIB industrial e por considerável arrecadação tributária. "A outra face da moeda é que o Brasil também é importante para a indústria automotiva. Até o ano passado o Brasil era o quinto mercado e o sétimo fabricante."

Reportagem - Noéli Nobre
Edição - Daniella Cronemberger

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.