Engenheiro diz que custo inicial de Abreu e Lima não era realista
10/06/2015 - 14:06
O engenheiro Maurício Guedes, gerente-executivo de Engenharia de Abastecimento da Petrobras, disse à CPI da Petrobras que o orçamento inicial de custos da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, não era realista.
A refinaria foi orçada inicialmente em 2,5 bilhões de dólares, valor que subiu para 18,5 bilhões de dólares ao final da construção. “Não era possível construir uma refinaria daquelas por 2 bilhões em nenhum lugar do mundo”, disse, repetindo o que disse à CPI a ex-presidente da Petrobras Graça Foster.

Guedes apontou alguns fatores que explicam a diferença. Um deles é a variação cambial. Outra é a mudança no projeto de engenharia em função dos equipamentos necessários.
O engenheiro defendeu ainda o procedimento interno da estatal de contratar empresas que apresentassem propostas de custos dentro da margem de 15% a menos ou 20% a mais que o valor estabelecido pela própria Petrobras.
Essa margem de 35 pontos percentuais aceita pela empresa é apontada pelo Ministério Público como um dos fatores que explicam o pagamento de propinas a diretores da Petrobras e agentes políticos – propina que ficava entre 1% e 3% do valor das obras.
Segundo Guedes, a margem elástica é comum em projetos industriais, como o de refinarias e complexos petroquímicos, que envolvem a aquisição de equipamentos complexos. “Obra industrial depende da aquisição de equipamentos complexos. O projeto executivo só pode ser feito depois da aquisição dos equipamentos. Daí essa margem”, explicou.
A CPI está reunida no plenário 2.
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Reportagem - Antonio Vital
Edição - Natalia Doederlein