Política e Administração Pública

Entenda as acusações que pesam contra Júlio Faerman

09/06/2015 - 12:55  

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública para ouvir o depoimento do empresário Júlio Faerman, ex-representante no Brasil da empresa holandesa SBM Offshore
Faerman alegou problemas de saúde e um acordo de delação premiada em curso para ficar em silêncio na CPI

As suspeitas em relação ao empresário Júlio Faerman, ex-representante no Brasil da empresa holandesa SBM Offshore, foram reforçadas pelo depoimento do advogado Jonathan Taylor, que durante nove anos trabalhou na SBM.

Taylor disse a deputados da CPI, em Londres, que a empresa pode ter feito pagamentos de 92,6 milhões de dólares em propinas a partir de 1997 em troca de contratos com a Petrobras.

Ele estimou os valores com base no percentual de comissão que a SBM pagava, no período, a Faerman: 3% sobre o valor dos contratos. Segundo ele, as comissões de Faerman totalizaram 139 milhões de dólares e um manuscrito encontrado durante as investigações internas apontava que, dos 3% de comissão, Faerman ficava com 1% e os demais 2% eram identificados como “outside” (por fora), que ele interpretou como pagamento de propina.

Acusações de Barusco
Não foi a primeira vez que o nome de Faerman apareceu ligado ao pagamento de propina. O ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco disse ter recebido de Faerman quantias que variavam de 25 mil dólares a 50 mil dólares por mês, entre 2000 e 2003, em troca de contratos entre a estatal e a SBM.

Ele disse ainda que, em 2007, a SBM foi contratada pela Petrobras para fornecer um navio-plataforma chamado P57 por R$ 1,25 bilhão. Barusco era então gerente-executivo de Engenharia e disse ter recebido 1% do total entre 2007 e 2010. No total, Barusco admitiu ter recebido 22 milhões de dólares de Faerman de 1997 a 2010.

O ex-gerente disse ainda que, em 2010, Renato Duque (então Diretor de Serviços da Petrobras, ao qual Barusco era subordinado) pediu a Faerman 300 mil dólares como “reforço” de campanha eleitoral, “provavelmente” a pedido de João Vaccari Neto (ex-tesoureiro do PT), quantia que teria sido contabilizada como “pagamento destinado ao partido”.

Reportagem – Antônio Vital
Edição – Natalia Doederlein

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