CPI da Petrobras vai convocar Faerman novamente
Nesta terça-feira, o empresário preferiu ficar calado. Presidente da CPI vai pedir a apreensão do passaporte do depoente, que mora em Londres
09/06/2015 - 12:42
O empresário Júlio Faerman, ex-representante no Brasil da empresa holandesa SBM Offshore, foi dispensado pelo presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), depois que, amparado por uma liminar, se recusou a responder as perguntas. Motta, no entanto, deixou claro que ele será convocado a depor novamente assim que for homologado o acordo de delação premiada que Faerman negocia com o Ministério Público.

Faerman compareceu à CPI amparado por um habeas corpus, concedido pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, que dava a ele o direito de não responder as perguntas. Um dos argumentos para a concessão do habeas corpus foi justamente o fato de o empresário estar negociando o acordo de delação premiada.
O habeas corpus irritou os integrantes da CPI. “Nós temos o direito de interrogá-lo mesmo com o habeas corpus e mesmo que ele não queira falar”, disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
Já o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) achou insuficiente o compromisso de Faerman de comparecer à CPI se novamente convocado. “Temos que ter outras garantias, como uma tornozeleira eletrônica”, disse.
Passaporte
Motta anunciou ainda que a CPI vai pedir à Justiça Federal do Rio de Janeiro, onde tramita processo contra o empresário, a apreensão do passaporte dele. Faerman mora em Londres e, em março, deixou de comparecer à CPI ao ser convocado pela terceira vez.

Faerman, no início do depoimento, leu um documento em que explicou por que ele optava por permanecer calado. O empresário alegou que tem 77 anos, apresenta problemas respiratórios e cardíacos e que está negociando com o Ministério Público acordo de colaboração sobre as acusações de irregularidades praticadas na Petrobras.
Faerman disse que foi contratado pela SBM em 1995 para ser representante da empresa no Brasil. Acrescentou que, desde então, seu trabalho “resultou em ganhos expressivos para a Petrobras”, em referência ao fornecimento de navios-plataformas para exploração do petróleo em águas profundas.
O empresário negou ser lobista e disse que não foi informado de sua convocação pela CPI em março – quando não foi localizado e chegou a ter prisão preventiva solicitada pelo presidente da comissão, deputado Hugo Motta.
Filhos convocados
Na próxima quinta-feira (11), a CPI pode aprovar a convocação dos filhos do empresário, Marcello e Eline Faerman, bem como do sócio Luiz Eduardo Barbosa.
Há requerimentos ainda de quebra de sigilos bancário e fiscal das empresas de Faerman.
Reportagem – Antônio Vital
Edição – Natalia Doederlein