CPI da Petrobras ouve dirigentes da Mendes Júnior e da Galvão Engenharia
Empresas são acusadas de pagar propina em contratos com a estatal
02/06/2015 - 08:55
Dirigentes de duas das maiores empreiteiras do País são os convocados a depor hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras: Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente da Construtora Mendes Júnior, e Dario Queiroz Galvão Filho, presidente da Galvão Engenharia.
Segundo o ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco, a Mendes Júnior pagou propinas em quatro contratos com a estatal que, juntos, somavam quase R$ 4 bilhões. Outros dois delatores do esquema, os empresários Augusto Ribeiro e Júlio Camargo, também acusaram a empreiteira de pagar propina.
A mesma acusação pesa sobre a Galvão Engenharia, que tem contratos de mais de R$ 7 bilhões com a Petrobras. O presidente da empreiteira, Dario Queiroz Galvão, foi chamado a depor no lugar de outro executivo da empresa, Erton Fonseca, por sugestão do juiz federal Sérgio Moro, responsável pela condução dos inquéritos da Operação Lava Jato.
"Ia depor o Erton Fonseca, mas aí chegou um despacho do juiz Sérgio Moro dizendo à CPI que o Dario tem condição de contribuir mais com as investigações”, explica o presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB).
A comissão também pretendia ouvir na terça o dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, porém o depoimento foi adiado. Pessoa é considerado o coordenador do cartel de construtoras que atuava na Petrobras. Ele está fazendo acordo de delação premiada com a Justiça e só deve ser convocado pelos deputados no final do mês.
Próximos passos
Os depoimentos de Mendes e Galvão vão marcar o fim da fase de interrogatórios de empresários que se encontram em prisão domiciliar. Depois disso, a CPI, cujos trabalhos foram prorrogados, deve marcar as primeiras acareações. Deputados querem colocar frente a frente delatores como Pedro Barusco e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.
O relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), no entanto, gostaria de tomar novos depoimentos antes das acareações. Ele defende a convocação de pessoas mencionadas em oitivas anteriores.Uma delas é o ex-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU) Jorge Hage. Segundo o advogado inglês Jonathan Taylor, a CGU não investigou suspeitas sobre pagamento de propina pela empresa holandesa SBM Offshore.
O relator quer convocar também operadores financeiros mencionados pela doleira Nelma Kodama. Para Luiz Sérgio, as apurações têm de ter começo, meio e fim. "Não pode ser um ‘convoca um, convoca outro’ e depois fica uma coisa meio sem pé nem cabeça, em que não se dá continuidade", afirma.
Novos requerimentos de acareação ou convocações devem ser votados apenas no dia 11 de junho.
A reunião será realizada a partir das 9h30, no plenário 9.
Reportagem – Antonio Vital
Edição – Marcelo Oliveira