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APO diz que a Baía de Guanabara está apta a receber os Jogos Olímpicos

27/05/2015 - 18:52   •   Atualizado em 27/05/2015 - 18:55

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a questão da despoluição da baía da Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas, palco de eventos esportivos nas Olimpíadas 2016. Dep. Alex Manente (PPS-SP)
Presidente da Comissão de Turismo, Alex Manente:  turismo vive de questões intangíveis; imagem ruim poderá manchar a imagem turística da cidade e do País.

O representante da Autoridade Pública Olímpica (APO) afirmou nesta quarta-feira (27) que a Baía de Guanabara está apta a receber os praticantes de vela durante os Jogos Olímpicos 2016, na cidade do Rio de Janeiro. A ausência de alguns convidados no debate, no entanto, rendeu críticas de parlamentares a autoridades cariocas.

Em audiência pública da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, expositores discutiram a despoluição de Baía de Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas, palcos de eventos esportivos durante as olimpíadas do Rio.

O presidente em exercício da APO, Marcelo Pedroso, disse que, em 2007, apenas 11% do esgoto despejado na baía possuía tratamento adequado. A meta, até os jogos, é atingir 80% de tratamento. "Hoje, nós temos 50% dessa área com projetos de tratamento de esgoto. Nossa meta, até os jogos olímpicos, é atingir 80%."

Lixo flutuante
Segundo Pedroso, todas as áreas previstas para receber os eventos de vela estão dentro de um padrão internacionalmente aceitável. "Com exceção da área da Marina da Glória, a qualidade da água está segura."

Simultaneamente à despoluição das águas, o segundo desafio da APO, de acordo com Pedroso, está relacionado à retirada do lixo flutuante das águas. "Trabalharemos com a implementação de ecobarreiras, na chegada de rios à Guanabara, e ecobarcos na retirada do lixo." 55 rios, que passam por 16 municípios, deságuam na Baía de Guanabara. Desse total, segundo Pedroso, 17 receberão ecobarreiras.

As novas ecobarreiras devem substituir estruturas antigas, instaladas anos atrás e que já estão desativadas, pois foram consideradas ineficientes pelo governo. Elas não contavam com um mecanismo para a coleta do lixo retido.

Exagero da imprensa
No último mês, a Federação Internacional de Vela (FIV) admitiu para a imprensa que poderia pedir para que todas as competições de vela fossem disputadas em alto mar, fora da baía.

Assim como Pedroso, o presidente da Confederação Brasileira de Vela (CBVela), Marco Aurélio Sá, que veleja desde os seus 14 anos de idade, disse que há um exagero e muita cobrança da imprensa com relação ao tema. “Existe poluição na baía de Guanabara, mas não do tipo que possa impedir uma competição internacional de vela. Se você procurar, vai achar...vai achar um saco plástico, você vai achar até um sofá boiando.”

Ainda segundo Aurélio Sá, "a qualidade da água em Barcelona (Espanha) era, incrivelmente, ruim. Em Pequim (China), também. E ninguém reclamou". As duas cidades receberam os Jogos Olímpicos em 1992 e 2008, respectivamente.

Questão política
Como o lixo percorre diversos municípios do Rio, Aurélio de Sá denuncia uma omissão política: “Por essa razão, há uma questão política: ninguém quer assumir a culpa pelo lixo depositado e pela poluição de suas águas”.

O presidente do colegiado, deputado Alex Manente (PPS-SP) disse que a principal preocupação está no legado deixado pelo evento. "O turismo vive dessas questões intangíveis. Uma imagem ruim poderá manchar a imagem turística da cidade e do País."

Indignação
Manente disse estar profundamente indignado com a ausência das autoridades cariocas no debate de hoje. “Ao final desta audiência, aprovamos uma moção de repúdio, que será encaminhada tanto ao presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) quanto ao secretário de Meio Ambiente [do Rio de Janeiro].”

Em nome da CBVela, Aurélio Sá convidou os membros da comissão para estarem presentes no próximo evento teste na Baía de Guanabara, previsto para acontecer entre os dias 15 e 22 de agosto.

Os jogos olímpicos acontecem entre os dias 5 e 21 de agosto; já os jogos paralímpicos, entre os dias 7 e 18 de setembro.

Reportagem – Thyago Marcel
Edição – Newton Araújo

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