Meio ambiente e energia

Atividades econômicas sustentáveis podem ser saída para seca no Nordeste

Comissão externa que trata da estiagem na região ouviu nesta quinta-feira dois pesquisadores do governo. Uma das soluções apontadas para lidar com o problema é a geração de energia solar a fim de criar emprego e renda

21/05/2015 - 15:03  

Parlamentares e especialistas ouvidos nesta quinta-feira pela comissão externa que trata da seca no semiárido nordestino foram unânimes ao afirmar que o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis na região pode amenizar o sofrimento da população com a estiagem. Todos concordam que a seca não se combate – uma vez que é efeito da falta de chuvas e já é parte do clima regional. Ao contrário, se convive com ela, especialmente em um local onde vivem 22 milhões de pessoas – ou 12% da população nacional.

Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados
Audiência conjunta da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Desenvolvimento do Semiárido Nordestino e da Comissão Externa Seca no Semiárido Nordestino para discutir as causas climáticas e impactos socioeconômicos do fenômeno da seca. Membro do Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do MCTI, Paulo Nobre
Paulo Nobre quer aproveitar o potencial da região para produzir energia solar

Uma das possibilidades para a criação de emprego e renda nos municípios do semiárido seria o aproveitamento do potencial solar da região para geração de energia. A sugestão é do pesquisador Paulo Nobre, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

“Eu vejo o Nordeste, no futuro, como um enorme produtor e exportador de energia. É uma energia eterna, que é a energia do sol. Ela pode ser aplicada tanto em grandes centrais como em cada telhado”, afirmou Nobre. “De forma que o recurso possa ser usado para trazer água em tubo, não água evaporando em canais abertos, e escolas para as novas gerações.”

Planejamento
Conforme explicou Paulo Nobre, em uma região onde a seca faz parte do clima, o planejamento econômico é fundamental. Por essa razão, o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Guilherme Resende recomendou uma avaliação das políticas públicas atualmente voltadas para o semiárido.

Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados
Audiência conjunta da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Desenvolvimento do Semiárido Nordestino e da Comissão Externa Seca no Semiárido Nordestino para discutir as causas climáticas e impactos socioeconômicos do fenômeno da seca. Técnico em Planejamento e Pesquisa do IPEA, Guilherme Mendes Rezende
Resende: seca só é flagelo onde não há boas condições socioeconômicas

Entre outros programas, a região é hoje beneficiária de pelo menos 50% dos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Na maior parte das vezes, no entanto, os recursos que chegam estão bem abaixo do limite estabelecido. “Esses recursos não podem ser concedidos sem outras políticas para um lugar onde não haja a água ou a energia necessária para um empreendimento”, defendeu Resende.

Ele acredita que o semiárido é solo fértil para o desenvolvimento de culturas agrícolas resistentes à seca ou irrigáveis, como as existentes em países como Estados Unidos, México e Israel. “Crises climáticas periódicas ocorrem em várias partes do mundo, prejudicando a agricultura. No entanto, só se transforma em flagelo social quando se depara com condições socioeconômicas precárias, como as do Nordeste”, disse Guilherme Resende.

Agenda
A Comissão da Seca no Semiárido deve realizar pelo menos mais nove reuniões. A ideia é reunir as sugestões de técnicos e representantes de municípios e da sociedade civil em um relatório a ser elaborado pelo deputado Manoel Junior (PMDB-PB).

“É muito grave a situação. As pessoas têm sempre empurrado com a barriga, deixado para carro-pipa e cisternas, sem nunca enfrentar o problema”, lamentou o coordenador do grupo, deputado Zeca Cavalcanti (PTB-PE).

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Natalia Doederlein

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