Política e Administração Pública

Doleiro tem bate-boca áspero com integrante da CPI da Petrobras

12/05/2015 - 20:52  

Três presos pela Operação Lava Jato se recusaram a responder perguntas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras na audiência pública ocorrida nesta terça-feira (12) em Curitiba (PR). René Luiz Pereira (acusado de tráfico de drogas), o doleiro Carlos Habib Chater (ligado a Alberto Youssef) e o publicitário Ricardo Hoffmann (acusado de pagar propina ao ex-deputado André Vargas em troca de contratos com o governo federal) ficaram calados quando perguntados sobre a Operação Lava Jato.

Eles só romperam o silêncio em poucos momentos. Em um deles, o doleiro Carlos Habib Chater protagonizou um bate-boca áspero com o deputado Delegado Waldir (PSDB-GO), quando foi acusado por ele de ser traficante de drogas.

“Se o senhor tivesse feito o dever de casa e estudado o assunto, iria saber que eu não fui condenado por tráfico de drogas”, respondeu Chater.

Chater é proprietário do Posto da Torre, em Brasília, estabelecimento que inspirou o nome da Operação Lava Jato. Ele foi condenado a cinco anos e seis meses de prisão, em regime fechado, e multa de R$ 67.800,00 pelo crime de lavagem de dinheiro. Chater foi acusado de fazer operações de câmbio para o pagamento da droga no exterior.

A resposta de Chater irritou o deputado, e seguiu-se uma áspera discussão. “Não aponte o dedo para mim”, disse o deputado. “Vá fazer o dever de casa”, respondeu o doleiro. “Você é um bandido”, disse o deputado.

O advogado de Chater informou à CPI que seu cliente foi processado por tráfico de drogas, mas absolvido.

Depois da confusão, Chater voltou a dizer que ficaria calado e a audiência foi encerrada.

Publicitário
Depois dele, o publicitário Ricardo Hoffmann também ficou calado sobre a acusação de ter pago propina ao ex-deputado André Vargas em troca de contratos publicitários com órgãos federais. “Vou usar meu direito de ficar calado”, disse.

O publicitário é acusado de repassar R$ 3 milhões para empresas de fachada controladas pelo ex-deputado André Vargas. O dinheiro seria pago pela agência de publicidade Borghi Lowe, da qual Hoffmann era vice-presidente.

A agência de Hoffmann foi contratada por órgãos públicos, como a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde. A suspeita da Polícia Federal é de que os repasses feitos a empresas de Vargas eram propinas em troca dos contratos.

Tráfico de drogas
Outro preso que ficou calado foi René Luiz Pereira, condenado junto com o doleiro Carlos Habib Chater em um processo por tráfico de drogas. Nesse processo, um dos primeiros derivados da Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef foi absolvido.

Pereira foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado e multa de R$ 632.574,00 pelos crimes de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele foi apontado como responsável por uma carga de 698 kg de cocaína apreendida em novembro do ano passado em Araraquara (SP), segundo nota da Justiça Federal do Paraná.

Ele só rompeu o silêncio ao se dizer inocente quando questionado sobre isso pelo relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). Pereira, apesar de dizer que não responderia as perguntas, disse ser inocente e insinuou que a gravação que o teria incriminado é ilegal. Ele disse trabalhar no ramo de construção civil e negou qualquer operação com doleiros.

“Mas como o nome do senhor foi envolvido no caso?” perguntou o relator. “A partir daqui prefiro me manter em silêncio”, disse o depoente.

Pereira disse que só conheceu Youssef e Chater ao ser preso.

Reportagem – Antônio Vital
Edição – Newton Araújo

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