Política e Administração Pública

Ex-deputados negam envolvimento em desvios de dinheiro da Petrobras

12/05/2015 - 20:50  

Os três ex-deputados ouvidos nesta terça-feira (12) pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, em depoimento na sede da Justiça Federal em Curitiba (PR), onde estão presos, negaram envolvimento em desvio de dinheiro da Petrobras. Negaram também ter recebido recursos ilícitos do doleiro Alberto Youssef, bem como acusações contra eles que surgiram em depoimentos como o do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

Os ex-deputados Luiz Argôlo, André Vargas e Pedro Corrêa usaram o direito constitucional de ficar calados, mas responderam algumas perguntas, a partir da insistência dos membros da CPI.

Relação privada
O primeiro a depor foi Luiz Argôlo. Ele disse não ter relação com irregularidades na Petrobras, ao responder pergunta da deputada Eliziane Gama (PPS-MA). "O senhor é inocente?" perguntou a deputada. "Claro que sou", respondeu.

Argôlo disse que teve uma “relação privada” com o doleiro Alberto Youssef. “Conheci Youssef como empresário que tinha investimento na Bahia. Eu tinha uma relação privada com ele. Se agora ele virou criminoso, doleiro, eu não tenho nada com isso. Ele já tinha investimento no estado da Bahia, e eu o conheci depois de eleito deputado federal”, disse Argôlo.

Segundo o ex-deputado, Youssef na época tinha um hotel em Salvador e depois comprou outro em Porto Seguro. “Eu conheci o empresário Alberto Youssef na casa dos [então] deputados Mário Negromonte e João Leão”, disse Argolo. “Não o conheci com sacola de dinheiro nem como doleiro. Não recebi doação nenhuma de construtora em 2010.”

Argôlo é acusado de receber recursos de propina do doleiro Alberto Youssef quando pertencia ao PP, partido que trocou pelo Solidariedade depois de divulgadas as primeiras suspeitas contra ele.

O silêncio de Argôlo foi criticado pelos deputados da CPI da Petrobras. “Em 25 anos na Polícia Federal, nunca vi essa tática de defesa funcionar. Pelo contrário. Quem colabora costuma obter benefícios como redução da pena”, disse o deputado Aluisio Mendes (PSDC-MA).

“Quem adota essa prática é porque tem algo a esconder”, disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

André Vargas
O ex-deputado André Vargas, apesar de optar por ficar calado diante dos membros da CPI da Petrobras, disse que nunca recebeu recursos ilícitos do doleiro Alberto Youssef. “Eu o conheço  há mais de 30 anos. Eu o conheci vendendo coxinha no aeroporto de Londrina. Depois de ter cumprido pena, ele se transformou no proprietário do maior hotel de Londrina e é sócio de um grande hotel em Aparecida do Norte, junto com uma empresa católica”, disse Vargas.

“Ele [Youssef] é um empresário, e eu mantive um relacionamento à luz do dia com ele”, disse Vargas. “Mas recebeu algum recurso financeiro dele?” perguntou o deputado Ivan Valente (Psol-SP). “Eu não reconheço nenhum repasse dele para mim porque não ocorreu”, disse o ex-deputado.

André Vargas foi preso em uma investigação que não tem relação direta com desvios da Petrobras. Ele é suspeito de envolvimento em um esquema de fraude em contratos de publicidade firmados pelo Ministério da Saúde e pela Caixa Econômica Federal (CEF).

Vargas teve o mandato cassado no ano passado depois de ter usado um jatinho alugado por Youssef. Ele foi acusado ainda de tentar intermediar negócios de Youssef, dono de um laboratório de medicamentos, o Labogen, com o Ministério da Saúde.

Segundo a investigação dessa nova fase da Lava Jato, uma agência de publicidade contratada pela Caixa Econômica Federal e pelo Ministério da Saúde subcontratava fornecedoras de materiais publicitários que eram de fachada e tinham como sócios André Vargas e o irmão dele, Leon Vargas. O irmão de Vargas também chegou a ser preso e foi liberado com o fim do prazo da prisão temporária.

Pedro Corrêa
O ex-deputado Pedro Corrêa também disse que ficaria em silêncio, mas respondeu algumas perguntas. Ele disse que nunca recebeu qualquer repasse ilícito de Alberto Youssef. E negou informações dadas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, segundo o qual ele recebeu R$ 5 milhões do esquema de desvio de dinheiro da estatal. Costa disse que foi nomeado e operava o esquema na Petrobras como representante do PP, partido que Corrêa presidiu.

De acordo com Pedro Corrêa, o esquema de desvio de recursos da Petrobras só começou em 2006, quando ele já não era mais deputado. “Se fosse verdade o conteúdo das delações premiadas do Paulo Roberto Costa e do Alberto Youssef, eu teria algo entre R$ 21 e R$ 25 milhões. Onde está esse dinheiro?” disse Corrêa, ao responder pergunta do deputado Ivan Valente.

“Eu sei onde está”, contestou Valente. “O senhor foi presidente de partido (PP), o senhor faz política, o senhor repassou o dinheiro para os deputados do seu partido”, concluiu. E leu trechos de depoimentos que mencionavam repasses para vários deputados do PP, inclusive a filha de Pedro Corrêa, a ex-deputada Aline Corrêa.

“Minha filha só foi eleita da primeira vez por conta da votação de Paulo Maluf e Celso Russomanno em São Paulo”, disse Corrêa. E completou: “Eu não tenho mandato desde 2006, e como é que podem dizer que eu continuei a receber dinheiro? Político sem mandato não tem influência, o senhor sabe”.

Pedro Corrêa admitiu ter conhecido o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. “O senhor o apoiou para ser nomeado?” perguntou Valente. “Eu o apoiei para ser nomeado para outra empresa, a TBG, e depois ele se credenciou para ir para a Petrobras”, respondeu Corrêa.

Reportagem – Antônio Vital
Edição – Newton Araújo

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.