Consultor avalia que Petrobras tem valor maior do que o apontado por agências de rating
12/05/2015 - 15:16
Estudo divulgado pelo consultor legislativo da Câmara Paulo César Ribeiro Lima mostra que a Petrobras tem valor maior que o usado nas análises de curto prazo que motivaram o rebaixamento das notas da empresa por agências de avaliação de risco.
O consultor, que é especialista na área de recursos minerais, hídricos e energéticos, afirma que as áreas de Exploração e Produção; e de Abastecimento têm ativos imobilizados de, respectivamente, R$ 250,6 bilhões e R$ 96,7 bilhões. "Como a Petrobras conta com volumes recuperáveis de petróleo na ordem de 44 bilhões de barris, contabilmente o ativo imobilizado da Petrobras é R$ 250,6 bilhões. Até 2030, estima-se que as áreas da Petrobras já descobertas possam gerar receitas líquidas para a empresa da ordem de R$ 3 trilhões”, calcula.
Para Lima, o volume de dívida da empresa é compatível com o nível de investimentos que vem fazendo. Ele ressalta que a dívida da Petrobras superou R$ 261 bilhões no terceiro trimestre de 2014, mas seu faturamento anual é superior a R$ 300 bilhões. Segundo o consultor, os investimentos se multiplicaram por dez entre 2002 e 2012 e levaram à descoberta de volumes da ordem de 28 bilhões de barris, apenas no pré-sal:
"Era muito importante que a Petrobras fizesse os investimentos e aumentasse sua dívida, porque se ela não cumprisse os programas exploratórios mínimos que estavam previstos nos contratos, ela teria que devolver a área para a União", afirma Lima.
O consultor avalia que a gestão técnica da empresa tem sido boa, porque as reservas triplicaram em poucos anos. Lima critica, porém, o controle de preços. "Não teria nenhum problema se a Petrobras fosse uma empresa pública. Mas para uma empresa que está no mercado, que tem 54% do capital social privado, que tem 35% do capital detido por investidores estrangeiros, essa gestão realmente foi inadequada", opinou.
Lima defende a manutenção do sistema de partilha adotado para a exploração do pré-sal porque avalia que essas reservas vão mexer com o preço internacional do petróleo e devem ser controladas pela Petrobras. Nesse sistema, a empresa é a principal operadora da área.
Reportagem - Sílvia Mugnatto
Edição - Patricia Roedel