Política e Administração Pública

Ex-gerente e ex-presidente do Comperj negam relação com problema em obra

28/04/2015 - 19:09  

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Audiência pública da Sub-Relatoria para investigação do superfaturamento e gestão temerária na construção de refinarias no Brasil. Ex-gerente do Comperj, Jansen Ferreira da Silva
Ex-gerente do Comperj, Jansen Ferreira da Silva afirmou que nunca viu nenhuma irregularidade nem recebeu denúncia

O ex-gerente do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) Jansen Ferreira da Silva disse à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, em depoimento nesta terça-feira (28) na Câmara dos Deputados, desconhecer superfaturamento na obra, praticamente paralisada hoje em função das investigações da Operação Lava Jato e das suspeitas de pagamento de propina por parte de empresas contratadas.

Outro depoente da reunião desta terça da CPI, o ex-presidente do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) Nilo Carvalho Vieira Filho afirmou que não teve relação com a construção do complexo nem com a refinaria que originalmente integrava o projeto – único do mundo, segundo ele, que previa uma refinaria para transformar o petróleo em diesel e um complexo petroquímico que transformaria o diesel em insumos como eteno e propeno, utilizados na indústria. Ele apontou Jansen como encarregado da obra.

O custo do Comperj, estimado em 47 bilhões de dólares, foi questionado pelo Tribunal de Contas da União (TUC). Dois empresários que fizeram delação premiada à Justiça Federal, Júlio Camargo e Augusto Mendonça, da Toyo Setal, afirmaram que houve pagamento de propina na obra para os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque, assim como para o ex-gerente de Tecnologia Pedro Barusco.

Jansen é engenheiro e era responsável pelo canteiro de obras. Ele foi indicado para o cargo pelo ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque e admitiu conhecê-lo há mais de 30 anos. No entanto, negou qualquer conhecimento sobre fraudes. “Nunca vi e nunca qualquer denúncia me foi encaminhada”, disse.

O deputado Bruno Covas (PSDB-SP) perguntou se Jansen conhecia Júlio Camargo. “Sim, eu me reunia com ele”, respondeu. O engenheiro, porém, negou qualquer irregularidade nos encontros.

Aditivo
Sub-relator da CPI para investigação do superfaturamento e gestão temerária na construção de refinarias no Brasil, o deputado Altineu Côrtes (PR-RJ) perguntou ao engenheiro se ele havia assinado algum aditivo contratual para terraplanagem que, segundo o TCU, teve sobrepreço de R$ 76 milhões – de um total de R$ 130 milhões previstos.

Jansen afirmou que não cabia a ele assinar contratos. “Eu apenas encaminhei os processos”, disse. Segundo ele, o tribunal questionou a justificativa de necessidade dos aditivos em função de um anexo contratual que previa indenização às empresas pelo tempo em que os equipamentos ficariam parados em caso de chuva.

“O senhor desconfiava que havia cartel por parte das empresas contratadas pela Petrobras?”, perguntou Côrtes. “Não, mas cartelização é um fenômeno”, respondeu o engenheiro.

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Audiência pública da Sub-Relatoria para investigação do superfaturamento e gestão temerária na construção de refinarias no Brasil. sub-relator, dep. Altineu Côrtes (PR-RJ)
O deputado Altineu Côrtes se irritou com as afirmações dos depoentes de que não sabiam de nada

O sub-relator não escondeu a irritação ao final do depoimento. “O TCU apontou superfaturamento na obra, um empresário que participou dos contratos disse que houve pagamento de propinas e que se reuniu várias vezes com o senhor e o senhor vem aqui e tem a coragem de dizer que não sabia de nada”, criticou.

Sem responsabilidade
O ex-presidente do Comperj Nilo Carvalho Vieira Filho afirmou à CPI que foi nomeado presidente da empresa Comperj S.A., criada para negociar os ativos e os produtos petroquímicos, e não tinha a função de construir o Comperj. “Havia uma gerência geral para a implantação do Comperj, ligada à Diretoria de Abastecimento, responsável por construir o Comperj”, explicou.

A declaração também irritou Altineu Côrtes. “Eu fui lá várias vezes como deputado estadual do Rio de Janeiro e fui recebido pelo senhor. E o senhor diz agora que não tem relação com a obra?”, perguntou o deputado.

Vieira explicou que a ideia original, de integrar a refinaria com o complexo petroquímico, foi abandonada pela Petrobras em 2009 e, a partir daí, os dois setores do Comperj ficaram independentes. Segundo ele, a empresa Comperj S.A. foi extinta em 2013 e seus ativos foram incorporados à Petrobras.

Reportagem – Antonio Vital
Edição – Marcos Rossi

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